Como melhorar a Pregação Sagrada

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., professor de Teologia e Oratória no seminário Interdiocesano Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 2459 visitas

Nessa semana continuaremos a falar do que o pregador deve fazer:

Em segundo lugar, o pregador também tem que escutar a comunidade à qual vai pregar.

Toda pregação tem que ter em conta duas coisas: a mensagem bíblica e a situação dos ouvintes. Falemos agora dos ouvintes.

Importância dos ouvintes

Os ouvintes são o outro livro de Deus "no qual teremos que ler constantemente, com o mesmo amor, com a mesma humildade e com a mesma perseverança que ante a Escritura e os sacramentos”. O pregador deve ser um “contemplativo da rua”, capaz de assombrar-se, maravilhar-se, entristecer-se e sobretudo comungar com o que acontece ao seu redor. Nada lhe é estranho. Tem que abrir o seu coração para acolher, escutar e fazer seu o que vai acontecendo.

O ouvinte tem que sentir durante a nossa pregação de que trata-se de algo seu, que se dá uma resposta às suas interrogações, medos, expectativas e alegrias. Temos que conhecer o contexto habitual dos nossos ouvintes, seu modo de ser, seus problemas, seu trabalho e suas festas. Não é o mesmo um povo de uma região com seca que um povo com uma região onde abunda água, nem um povo do litoral que um povo da montanha. Não é o mesmo uma comunidade rural que uma comunidade urbana. Por isso, o pregador deve perguntar-se o que é que determina a vida dos seus ouvintes, onde tem colocado o seu coração. Uma pregação não só se sobressai pela sua profundidade teológica, mas também pela sua profundidade na situação. Os ouvintes são filhos da época e constituem uma parte da atualidade.

O pregador não pode fechar-se na sacristia ou no escritório paroquial. Precisa pisar nos espaços onde vivem as pessoas, para conhecê-la melhor. O conhecimento amigável, de simpatia e de bondade do pregador com o povo é fonte de uma mútua interação. O povo tem que encontrar no pregador um amigo, um irmão conhecido, e uma predisposição confiada e aberta, que propiciará para que esse povo receba com prazer a semente do Reino. Agora, isso não significa que o pregador fale a cada domingo de coisas negativas que viu na semana. João XXIII aconselhava o seguinte: “estar informado de tudo, ignorar muitas coisas e corrigir pouco”. Quem trata com muitas pessoas precisa de uma boa dose de paciência. Se reaje imediatamente com admoestações se transformará num crítico rabujento. É necessário ter um reto equilíbrio entre não deixar entrar na pregação as fofocas do dia a dia e chamar valentemente a atenção sobre as desordens da comunidade.

Será de muita ajuda para o pregador reunir-se de vez em quando para ter um diálogo com os colaboradores mais comprometidos da paróquia e fazer-lhes estas perguntas: o que move as pessoas? Do que elas falam? O que se conta na comunidade paroquial? O que precisaria mudar? O que é desagradável para eles?

Na semana passada falei aos leitores de ZENIT sobre o pregador sagrado: catequista, diácono, sacerdote, bispo. Pode ler clicando aqui. Na próxima semana veremos os diversos tipos de auditório ou ouvintes que temos.

Padre Antonio Rivero tem licenciatura e doutorado em Teologia Espiritual pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em Roma. Atualmente exerce seu ministério sacerdotal como professor de teologia e oratória, e diretor espiritual no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.

Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.