Como melhorar a Pregação Sagrada
Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo
São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1190 visitas
Hoje falaremos de quais são os diferentes tipos de ouvintes que temos nas nossas pregações.
Precisamos adapatar-nos ao nosso público ou ouvintes, tanto no conteúdo como na forma da pregação.
Crianças
No Diretório para missas com as crianças que a Santa Sé publicou em 1973 destacam-se esses pontos:
A homilia pode ser feita em forma de diálogo com elas.
Recomenda-se um curto silêncio depois da homilia para que as crianças possam ir aprendendo a arte de recolher-se para rezar a Deus.
O pregador tem que conhecer profundamente a criança e o seu ambiente e ter algumas noções de psicologia infantil. Ajuda explicar aqueles textos da Sagrada Escritura que são gráficos, que apresentam acontecimentos ou sucessos, como os milagres ou as parábolas, aptas para capturar a imaginação infantil. É necessário traduzir o Evangelho para a linguagem da criança e para a vida dela.
Dicas:
Familiarizar a criança com Jesus.
Introduzí-las aos poucos na vida religiosa da comunidade, explicando os sinais e vestes litúrgicas, os períodos litúrgicos, os cantos, as partes da missa.
Ajudá-las a seguir a Jesus, que se assemelhem com Jesus.
O tom de voz e o rosto do pregador das crianças deve ser muito cordial, amável e simples.
Encher as pregações de exemplos e vidas de santos.
É bom deixar uma só ideia para elas.
Ser breves.
Jovens
Cristo é o seu ideal, tem algo a dizer-lhe e é um amigo dos jovens. Temos que apresentar a Cristo de forma tão atraente que os jovens queiram seguí-lo e imitá-lo.
Aproveitar o otimismo do jovem, seu impulso à ação e a nostalgia de amizade e de comunidade.
O pregador tem que demonstrar que ama os jovens e os aceita como são: idealistas, inquietos, inseguros, etc. Somente dessa forma se tornará jovem com os jovens e os conquistará para a causa de Cristo. Não deve atacá-los, mas alertar, estimular e oferecer-lhes ideais nobres e altos.
É preciso conseguir que façam a experiência da confiança na Igreja, que sempre quer o seu bem e a sua felicidade.
O tom com os jovens deve ser vibrante, confiante, positivo e sempre transparente e honesto. Nunca vão perdoar ao pregador que lhes escondeu as exigências da vida cristã. Sempre se lembrarão do pregador que lhes explicou com respeito, mas com sinceridade, a verdade de Cristo e da Igreja.
Adultos
Normalmente os adultos procuram uma pregação com certa densidade, para aprofundar na sua fé.
Isso não significa que seja seca e sem vida. Sempre falar a todas as faculdades do homem: inteligência, vontade e coração.
É preciso comprometê-los a serem apóstolos no seu próprio ambiente. Portanto, as pregações devem ser concretas e com aplicações para a vida deles.
O tom do pregador de adultos tem que ser seguro, com postura, força e sempre motivador e positivo.
Idosos e enfermos
Em muitas igrejas predomina as pessoas anciãs e doentes, que são normalmente as de maior prática religiosa, pois têm mais tempo para a tradição de ir à missa. Muitos como a anciã Ana e Simeão do Evangelho, esperam o entardecer da vida na casa de Deus.
Os idosos e os enfermos não querem que o pregador apele para a compaixão, mas querem ser compreendidos. Não querem ser tratados infantilmente, como se fossem crianças ou débeis mentais, mas querem ser tratados com dignidade e carinho.
Tanto o tom quanto o conteúdo das homilias deve ser suave, amável, esperançoso e sempre carinhoso.
Deixar-lhes ver como podem ajudar os seus netos com o seu exemplo e a sua fé, e, se estiverem doentes, que ofereçam as suas dores pela Igreja, pelo Papa, pelas vocações e pela humanidade necessitada.
Com religiosas e sacerdotes
Deve ser profunda, com certa originalidade ao tratar os temas, porque são pessoas já cultivadas, não podem estar escutando sempre os temas do mesmo modo.
O pregador tem que ter muita unção.
Valorizar a sua entregra ao Senhor para que cresçam no seu amor a Cristo e estejam orgulhosos de pertencer a Ele.
Ajudaria muito apresentar-lhes os Santos Padres e os documentos da Igreja unidos ao assunto que está sendo tratado.
Têm que ser homilias e palestras, de preferência, breves, mas densas, positivas, motivadoras, e com um tom cordial, alegre e cheio de bondade.
Com os pobres e necessitados
É o público mais receptivo e amável que nós temos como sacerdotes, o mais gratificante, e o que mais enche o nosso coração sacerdotal de alegria, simpatia e profundo amor, como acontecia com Jesus. Eles nos evangelizam em cada pregação que damos. Seus olhos atenciosos, seu sorriso sincero, seu abraço carinhoso, sua família numerosa que a cada semana participa da missa... é para nós um incentivo para a nossa fidelidade como sacerdotes.
Temos que falar-lhes com muita simplicidade, carinho, amor e clareza. Basta uma verdade tirada das leituras bíblicas e explicada mais com o coração do que com a razão. Os pobrem têm que sentir que são os mimados e privilegiados de Cristo e da Igreja.
Não esqueçamos de apresentar algum exemplo da vida dos santos, que seja para eles um estímulo para as suas próprias vidas.
A cada semana ele têm que levar algo, não só no coração, mas também nas mãos, como manifestação da caridade da comunidade paroquial.
Padre Antonio Rivero tem licenciatura e doutorado em Teologia Espiritual pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em Roma. Atualmente exerce seu ministério sacerdotal como professor de teologia e oratória, e diretor espiritual no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.
Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org e envie as suas dúvidas e comentários.
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