Como melhorar a pregação sagrada

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 969 visitas

Depois de falar da pregação dos exercícios espirituais, quero hoje conversar com vocês sobre alguns tipos de homilia que deveríamos evitar. Assim, vocês poderão esboçar um sorriso depois de terem me aguentado durante a árida explicação dos exercícios espirituais!

HOMILIAS QUE DEVEMOS EVITAR SEMPRE

Homilia improviso: é aquela que o sacerdote “prepara” quando está colocando a alba, o cíngulo, a estola e a casula para a santa missa.

Homilia livresca: homilia com muito cheiro de livro e de escrivaninha; homilia acadêmica, marmórea, mas carente de coração e de conhecimento dos ouvintes.

Homilia arqueológica: homilia em que o pregador quer fazer incursões em detalhes secundários sobre os fariseus, os essênios, as dracmas, os estádios, a hora sexta, o átrio, o poço... Não explica a mensagem de Deus, e sim curiosidades periféricas.

Homilia romântica: aquela que quer promover lágrimas, sorrisos e água com açúcar, à base de exclamações, interjeições, gritos, linguagem paternalista com adjetivos ternos, diminutivos e aumentativos.

Homilia demagógica: com palavras e mais palavras, quer ficar de bem com o público, traindo tanto a mensagem evangélica quanto o destinatário, desfigurando e distorcendo a doutrina de Cristo.

Homilia literária: mais que uma prédica sagrada, é um exercício literário ou poético.

Homilia antológica: aquela que se transforma numa oportunidade para recordar e trazer à colação todas as frases, sentenças, textos, poesias e definições que o pregador aprendeu de memória ou achou em seus arquivos.

Homilia molusco: invertebrada, gelatinosa, sem argumento, sem conteúdo, sem tema. Nem termina um tema, já começa outro.

Homilia tijolo: puras ideias, sem relação com a vida prática dos ouvintes. A homilia deveria chegar, por assim dizer, até a cozinha da dona de casa, até o trabalho do pai de família, até a cadeira dos estudantes... Mas a homilia tijolo é pesada demais para chegar lá.

Homilia espaguete: enrola, enrola, enrola... Chateia os ouvintes e os faz bocejar. 

Homilia cursinho: aborda muitos temas sem concretizar nenhum.

Homilia repetição do evangelho: não consegue tirar uma mensagem do evangelho para os ouvintes, limitando-se a ficar repetindo o que foi lido no evangelho. Será possível que o pregador seja incapaz de tecer uma homilia saborosa com uma ideia clara e bem apresentada? O ouvinte não é bobo!

Homilia técnica: usa o tempo todo uma linguagem teológica que as pessoas não entendem: metanoia, anáfora, parusia, epifânico, histérico, pneumático, mistagogo, escatologia, transubstanciação… A homilia não é uma aula de teologia, e sim uma conversa cordial com os ouvintes e paroquianos.

Homilia vira-lata: o pregador salpica a sua fala o tempo todo com gírias vulgares. Assim é rebaixada a palavra de Deus, a dignidade do profeta e a dignidade dos fiéis, que São Paulo chama de “santos no Senhor”. O pregador não deve jamais se rebaixar, pois está falando em nome de Cristo e da Igreja.

Homilia do mau piloto: o pregador não sabe decolar nem aterrissar. Dá voltas e mais voltas e nunca termina. Até anuncia: “E para terminar”... mas arremete de volta às nuvens... “E agora para terminar”… e lá vai de novo para mais uma volta. Por favor, termine e ponto.

Se algum de vocês, com mais experiência e engenhosidade que eu, quiser citar outro tipo de homilia que deveríamos evitar, por favor, mande-me a sugestão por e-mail. Agradeço de antemão.

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Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.