"Como os discípulos de Emaús, preparemo-nos para responder a Cristo" (Parte I)

Entrevista com pe. Eric Jacquinet, responsável pela Seção Juventude do Pontifício Conselho para os Leigos

Roma, (Zenit.org) Daniele Trenca | 685 visitas

O pe. Eric Jacquinet é o responsável pela Seção Juventude do Pontifício Conselho para os Leigos. Conversamos com ele para entender melhor a dinâmica pastoral dos encontros missionários com os jovens do mundo todo, concebidos pelo beato João Paulo II. A JMJ no Rio de Janeiro, segundo ele, “não será um ponto de chegada, mas um começo de caminho de evangelização no mundo de hoje”.

Por que o tema da Jornada Mundial da Juventude vem da frase de Cristo "Ide e evangelizai todas as nações"? Tem a ver com o Ano da Fé?

Pe. Jacquinet: A jornada no Rio foi preparada durante o Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização. Foi nesse contexto que começou a preparação espiritual para o Rio, com a mensagem que o papa Bento XVI escreveu há quase um ano. Além disso, todos os bispos da América Latina pediram uma missão continental. Por isso é que o papa Bento quis que a JMJ fosse sobre a Nova Evangelização, porque muitos jovens não conhecem a Cristo. Quem melhor do que eles pode ser missionário para outros jovens que estão longe de fé? João Paulo II disse que a fé cresce quando é compartilhada. No ato missionário, os jovens podem se tornar cristãos maduros se eles entrarem na atitude missionária. A missão para os jovens não é superficial, é um dever, faz parte da identidade cristã deles. Crescer na fé, crescer na missão.

Nem sempre é fácil falar de Deus para os jovens, mas na JMJ participam muitos, inclusive não praticantes. Por quê?

Pe. Jacquinet: Por várias razões. A JMJ é um lugar de amizade. O papa Bento XVI, em Madri, respondeu a um repórter: "Eu tenho certeza de que muitas amizades vão nascer e que Deus vai usar esses afetos". É uma amizade que não se baseia em um prazer, mas numa busca profunda, e este vínculo é um sinal do amor de Deus. Muitos jovens estão sozinhos e sem confiança; nós vimos isso claramente em Madri com os "indignados". Muitos estão em busca de uma nova esperança, que Cristo é capaz de dar. São dias em que há muitas oportunidades para discussão, reflexão e oração, que são importantes. O papa João Paulo II convidou para a Jornada Mundial da Juventude em Colônia todos os jovens, mesmo os não batizados, porque ele tinha certeza de que, para eles, a JMJ poderia ser uma grande experiência. Um último aspecto é que eu acho que os jovens de hoje estão muito conscientes do desejo de globalização. Com a internet, o Facebook, eles querem estar em contato com pessoas de diferentes ambientes e etnias. Essa globalização nem sempre é fácil, e a Jornada Mundial da Juventude é a confirmação dessa experiência bem-sucedida. Você pode conversar com pessoas de vários países e entrar em comunhão com elas. O papa Bento XVI, em Madri, afirmou: "Nós experimentamos que somos todos irmãos e irmãs em Cristo".

Como é a dinâmica pastoral da JMJ, em particular no Rio de Janeiro?

Pe. Jacquinet: A Jornada Mundial da Juventude é uma peregrinação, como a dos discípulos de Emaús. Esses discípulos fizeram uma viagem, conversando com Jesus, e não o reconheceram. Também há uma preparação para a Jornada Mundial da Juventude: o papa escreveu uma mensagem belíssima, para os jovens começarem o caminho. Quando você faz uma peregrinação, deixa de lado várias coisas: a casa, os hábitos, para ficar mais disponível para o que é essencial. Antes de os jovens chegarem ao Rio, há nas dioceses uma semana missionária, onde todos os grupos são recebidos pelas famílias e vivem momentos de oração e de missão. Na segunda-feira, dia 22, tudo se desloca para o Rio de Janeiro, onde começará a Jornada Mundial da Juventude na terça, com a missa de abertura. Quarta, quinta e sexta-feira serão dias dedicados à catequese, em mais de duas centenas de locais, em 26 idiomas diferentes. Os jovens vão ter a oportunidade de fazer perguntas aos bispos. Na sexta-feira haverá via-sacra, para confiar a Cristo, na sua Paixão, todas as perguntas e sofrimentos pessoais. No Brasil existem muitos sofrimentos, que estão sendo expressados com as manifestações. Podemos pedir ajuda a Cristo, pedir sua graça e sua consolação. No sábado teremos a grande peregrinação até o "Campus Fidei" de Guaratiba, onde acontece a vigília com o Santo Padre. Vamos dormir ao ar livre à espera da missa final, no domingo de manhã. É a missa de envio missionário, em que alguns jovens vão receber, em nome de todos, um mandado para o seu continente. Cada jovem será convidado a transmitir o evangelho. Como os discípulos de Emaús, que voltam a Jerusalém para proclamar o Cristo ressuscitado, nós também vamos voltar para casa com a fé renovada para comunicá-la aos outros.