"Como os discípulos de Emaús, preparemo-nos para responder a Cristo" (Parte II)

Entrevista com pe. Eric Jacquinet, responsável pela Seção Juventude do Pontifício Conselho para os Leigos

Roma, (Zenit.org) Daniele Trenca | 512 visitas

Publicamos a seguir a segunda e última parte da entrevista com o pe. Jacquinet, responsável pela seção de jovens do Conselho Pontifício para os Leigos. A primeira parte foi publicada ontem, quinta-feira, 18 de julho.

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Quais são os frutos mais importantes da Jornada Mundial da Juventude, desde que ela foi criada?

Pe. Jacquinet: Na minha opinião, a JMJ ajudou muitos jovens a encontrar uma identidade cristã. João Paulo II tinha o projeto de aproximar os jovens de Cristo. O papa Bento XVI, quando foi à sua primeira Jornada Mundial da Juventude em Colônia, disse: "Eu estou indo ajudar os jovens a descobrir a beleza da fé". Muitos foram confirmados na fé e decidiram seguir a Cristo. Muitos amigos meus, pagãos, foram para a JMJ de Paris, em 1997, e, ao encontrar o olhar do Santo Padre, decidiram se comprometer com Cristo e encontraram nele a alegria. Esta é a principal vocação dos batizados. A JMJ é um incentivo importante: muitos jovens namorados decidem se casar, outros tomam a decisão de entrar no seminário ou na vida religiosa, vendo que é possível, vendo a experiência dos sacerdotes jovens que vão nesses encontros. "Eu não vim aqui apenas para agradecer, eu vim pedir que vocês realmente respondam ao chamado do Senhor", foram as palavras do papa Bento XVI no encontro com os voluntários da JMJ de Madri. Esse dinamismo espiritual que você vive na JMJ também dá frutos nas igrejas locais. Alguns países pobres não podem enviar muitos jovens, e os sortudos que participam organizam encontros nacionais quando voltam para casa, contando o que viveram na JMJ.

Falando de países pobres, me vem à mente a África: como é a participação dos jovens africanos na JMJ?

Pe. Jacquinet: A participação não é muito alta. Às vezes, não há ninguém de alguns países. Mas desta vez nós ajudamos muitos países africanos através do Fundo de Solidariedade da JMJ: cada jovem de um país rico é convidado a doar 10 euros para este fundo, que é administrado pelo Conselho para os Leigos. O dinheiro é redistribuído de acordo com as necessidades dos vários países. Nós enviamos o dinheiro para a África através das conferências episcopais de cada país, para que eles possam vir e aproveitar essa experiência. Mas muitos que não podem participar vão se organizar para fazer conexões à distância com o Rio de Janeiro.

Quais são os critérios levados em conta na organização desses eventos?

Pe. Jacquinet: Primeiro, precisamos que exista o desejo de um bispo ou de um arcebispo para organizar a Jornada, e a colaboração possível do governo para garantir os meios concretos para acolher bem os jovens: hospitais, estruturas médicas, etc. A Jornada Mundial da Juventude já foi feita também em países onde a Igreja católica não é a mais numerosa, como a Austrália, em 2008. Em termos de logística, há uma alternância entre a Europa e outros continentes. Eu sonho com uma nova JMJ na Ásia, talvez em Seul, na Coreia do Sul, ou nos países do antigo bloco soviético, ou na Índia, na China. E na África. Dois anos atrás, na preparação para a Jornada do Rio, alguns delegados africanos pediram que considerássemos se era possível organizá-la na África. O cardeal Stanislaw Rylko [Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos] se disponibilizou para ver se havia essa possibilidade, mas, no momento, faltam alguns critérios para podermos sugerir esse destino ao Santo Padre.