Compreensão da vida deve-se orientar por critérios éticos e morais, recorda arcebispo

E não no horizonte do utilitarismo, enfatiza Dom Walmor Oliveira de Azevedo

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Por Alexandre Ribeiro 

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirma que a vida humana deve-se compreender no âmbito de fundamentos éticos e morais intocáveis, e não no horizonte do utilitarismo.

Em artigo enviado a Zenit esta sexta-feira, o arcebispo destaca que o discípulo de Jesus Cristo sabe se orientar pela compreensão de que "a vida humana é um dom que ocupa uma centralidade, reafirmando, de modo preciso e firme, o seu valor e sua inviolabilidade".

De acordo com o arcebispo, que é também presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil), o comprometimento desta verdade implica em uma recusa à própria vida.

"Uma recusa à vida que se configura por não se compreender o ser humano por inteiro, impedindo o seu desenvolvimento e desabrochamento pessoal, familiar, social e cultural, na plenitude de sua existência", afirma.

Para Dom Walmor, "esta recusa é resultado de um individualismo hedonista presidindo sentimentos, escolhas e opções. Bem assim, é fruto do grave isolamento e da luta para a garantia da própria comodidade, desclassificando e destruindo tudo o que não corresponde aos próprios anseios e modo de pensar. É uma espécie de esforço imoral para fazer caber nas próprias estreitezas a largueza própria da vida como dom".

O arcebispo explica que a questão central "está numa compreensão da vida não iluminada por fundamentos éticos e morais intocáveis. Em questão está a dificuldade de contextuar a discussão e compreensão sobre a vida no seu lugar primeiro. Isto é, o lugar ético e da moralidade".

Dom Walmor assinala então que, "quando se localiza esta discussão e compreensão da vida apenas na etapa do utilitário, ou do que é cômodo e favorável ao próprio bem estar ou interesses, ocorre a gravidade de situações contemporâneas em que a vida é tratada como objeto ou como simples coisa".

O risco desta compreensão --prossegue o arcebispo de Belo Horizonte--, "fundamentando atuações e até legislações, é o agente responsável por absurdos que estão acontecendo, em diferentes níveis, como verdadeiros atentados contra a vida".

Diante disso, o prelado destaca que "é preciso considerar a etapa que precede ao que é utilitário ou simplesmente localizado nos chamados padrões técnicos ou encaminhamentos fáceis".

"Trata-se, pois de focalizar e valorizar a etapa dos fundamentos. A ética e a moral constituem esta etapa dos fundamentos", escreve.

Do contrário, afirma Dom Walmor de Azevedo, "abre-se caminho para a permissividade utilitarista, lugar para os relativismos éticos e passagem para as manipulações de variados tipos, criando, pois, uma sociedade amoral imoral e sem referências para tratar, por exemplo, a especialidade da vida como dom".