Conceito de dignidade liga-se à própria natureza da busca de Deus

Dom Walmor Oliveira de Azevedo defende direito a religião

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 22 de maio de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, ao defender o direito a religião, considera que o conceito de dignidade está ligado à própria natureza da busca de Deus.

Em artigo enviado a Zenit hoje, o arcebispo afirma que “a consideração da religião tem implicações que se referem à alimentação moral indispensável para o equilíbrio de processos e regulação adequada das relações humanas. Isto porque a religiosidade diz respeito à dignidade humana”.

“O direito da pessoa e das comunidades à liberdade social e civil em matéria religiosa se justifica enquanto tal liberdade está inscrita na natureza humana. Há, pois, uma estreita ligação entre o entendimento da dignidade da pessoa e a própria natureza da busca de Deus”, afirma.

Segundo Dom Walmor, esta busca de Deus “não é uma simples busca de Deus, até considerada como alienação em determinadas abordagens. Ou considerações pejorativas que advêm de entendimentos extremamente positivistas, ou de compreensão ideológica que impede alcançar raízes mais profundas da configuração da dignidade humana”.

A religião “é fundamento da moral, ainda quando se pode encontrar pessoas profundamente morais, mesmo sendo irreligiosas, como outras que, mesmo sendo religiosas, não pautam seu comportamento em Deus”.

O arcebispo explica que “o secularismo que vem desde o século XIII alimenta o fenômeno histórico que leva a colocar com vigor o acento principal na realidade mundana, reconhecendo nela valor e sentido próprio”.

“Daí nasce a compreensão de libertar a realidade da tutela da religião visando conquistar diante dela uma total autonomia”, explica.

Este fenômeno histórico –prossegue Dom Walmor– “provoca grande crise na religiosidade trazendo consequências e incidências sérias na consideração da vida interior, fonte da indispensável moralidade que equilibra o mundo nas suas relações, tratando-a como realidade alienante da vida comum, gerando até oposições a ela”.

“É, pois, indispensável que se ponha na pauta de discussão e entendimentos que se refere à liberdade de consciência e de religião. A Doutrina Social da Igreja advoga que a liberdade religiosa deve ser reconhecida no ordenamento jurídico, e sancionada como direito civil.”

“A consideração, pois, de liames históricos e culturais com uma nação, abre caminho para que uma comunidade religiosa receba um especial reconhecimento por parte do Estado sem gerar discriminações de ordem civil ou social”, enfatiza.