Conferência do Vaticano intensifica o combate ao tráfico de seres humanos

Embaixada dos EUA junto à Santa Sé organiza evento que celebra o primeiro dia mundial de luta contra essa tragédia

Roma, (Zenit.org) Redacao | 521 visitas

O chamamento a combater o tráfico humano ecoou novamente no Vaticano esta semana.

Instando os participantes a intensificarem a luta e apoiar os sobreviventes do tráfico, o Vaticano realizou uma conferência através de vídeo, na última terça-feira, para recordar o primeiro Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas, em 30 de julho, conforme informações da Rádio Vaticano.

O embaixador dos Estados Unidos, Luis de Baca, que monitora a prática de tráfico humano no mundo, participou do evento organizado pela Pontifícia Academia das Ciências em conjunto com a Embaixada dos EUA perante a Santa Sé e com a Rede Global de Liberdade, que é uma associação ecumênica.

Do seu escritório em Washington, o embaixador apresentou o recente relatório norte-americano sobre tráfico de pessoas, destacando a saga das vítimas que conseguem se libertar do tráfico e se tornam “sobreviventes”.

O relatório, que acompanha o progresso da luta contra essa tragédia em 188 países, se concentra no paradigma triplo de "prevenção, proteção e repressão", além de incluir histórias pessoais de homens, mulheres e crianças que escaparam da escravidão e agora estão ajudando a combater os traficantes.

O tráfico de pessoas afeta praticamente toda a comunidade global, trate-se de crianças-soldados na África, de exploração de imigrantes nos Estados Unidos, de tráfico sexual no Oriente Médio ou na Europa do Leste, de trabalho infantil no Sudeste Asiático, de comércio de órgãos na América Central. Em recentes conferências sobre o tema organizadas pelo Vaticano, o papa Francisco se encontrou pessoalmente com um grupo de vítimas.

O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que visitou o papa em Roma em 9 de maio, destacou em um comunicado a necessidade de cortar o financiamento dos traficantes e de combater as causas do tráfico de seres humanos, como a pobreza, a desigualdade e a ignorância.

Conversando com jornalistas sobre os milhões de pessoas ainda vítimas deste crime, o embaixador De Baca disse que houve uma mudança importante na forma como o tráfico é definido: "O tráfico era definido como o deslocamento de pessoas através de fronteiras internacionais... Isso excluía a escravidão hereditária na Mauritânia, no Mali e em outras partes da África Ocidental".

Embora vários países tenham criado novas leis de combate ao tráfico humano, o embaixador admitiu ainda não há vontade política suficiente para enfrentar as formas mais ocultas deste fenômeno generalizado.

Para ilustrar, ele disse: “O que nós vemos em todo o mundo é que os governos sempre tentam reclassificar as coisas. Eles procuram garantir que não seja definido como tráfico de seres humanos o uso de mão de obra explorada na sua indústria da pesca, na sua indústria de óleo vegetal, na sua indústria de carvão vegetal, na busca de babás ou de pessoas que venham construir os seus estádios para os próximos eventos esportivos...”.

De Baca aplaudiu, porém, o importante papel que a Igreja tem desempenhado na definição do tráfico como um crime contra a humanidade, trazendo-o mais para o centro da agenda pública. Mesmo assim, o embaixador ressaltou que a colaboração com quem enfrenta o problema deve continuar, porque as estratégias eficazes de prevenção têm importância crítica.

Apesar de algumas reformas ocorrerem depois de cada nova tragédia, há necessidade de uma mudança maior e sistêmica, sem a qual, segundo De Baca, os objetivos não serão alcançados.