Conferência Nacional dos Bispos do Brasil solidariza-se com bispo ameaçado

Dom Manoel Francisco, bispo de Chapecó, em questão que envolve índios e agricultores

| 719 visitas

BRASÍLIA, quinta-feira, 21 de junho de 2007 (ZENIT.org).- A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) enviou esta quinta-feira uma carta de solidariedade a Dom Manoel João Francisco, bispo de Chapecó (Estado de Santa Catarina, sul do país), diante das ameaças de morte sofridas pelo prelado.



Nessa segunda-feira, Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ, arcebispo de Florianópolis e presidente do Regional Sul IV (Santa Catarina) da CNBB, havia informado os bispos presentes na reunião do Conselho Permanente do organismo episcopal, em Brasília, da situação do bispo de Chapecó.

Na carta, a CNBB afirma estar informada «a respeito da situação que envolve indígenas e pequenos agricultores na região de sua Diocese e que afeta seu ministério pastoral como Bispo diocesano».

«Preocupa-nos tanto a situação dos indígenas que, constitucionalmente, têm direito de ocupar as terras que lhes pertencem, quanto a situação dos pequenos agricultores que, na boa fé, ocupam terras compradas por seus antepassados – terras que lhes foram indevidamente vendidas», afirma a CNBB.

Dom Manuel tem se posicionado sempre «de maneira sóbria e tranqüila», segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), na defesa dos direitos dos povos Guarani, Kaingang e Xokleng à demarcação e garantia de suas terras. Em virtude disso estaria sofrendo ameaças de grupos ligados aos setores do agronegócio.

Ainda de acordo com o CIMI, as áreas indígenas foram objetos de uma decisão administrativa do ministro da Justiça que, atendendo a preceitos constitucionais, emitiu no dia 19 de abril as portarias declaratórias de quatro terras indígenas em Santa Catarina: Terra Toldo Pinhal, Terra Araça’i, Terra Toldo Imbu e Terra Xapecó (Gleba Canhadão e Pinhalzinho).

Os procedimentos de demarcação destas terras se encontram na Funai (Fundação Nacional do Índio), organismo do governo brasileiro, e no Ministério da Justiça do Brasil há mais de 10 anos.

A CNBB se diz testemunha «dos esforços» que o bispo de Chapecó «tem feito para que se encontre uma solução rápida, justa e eficaz para essa questão, tanto para os indígenas quanto para os pequenos agricultores».

«Esperamos que, quanto antes, as autoridades constituídas busquem soluções adequadas para os problemas de sua região, evitando, assim, o prolongamento de tensões e sofrimentos.»

«Sabendo que o prezado irmão sofre muito com os problemas que o envolvem, sofrimentos que se tornam ainda maiores com a radicalização de algumas pessoas e grupos e com as ofensas morais que tem recebido, asseguramos-lhe nossa comunhão e expressamos-lhe nossa solidariedade», escreve a CNBB.

A carta, assinada pelo presidente da Conferência episcopal, Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana; o vice-presidente, Dom Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus; e o secretário-geral, Dom Dimas Lara Barbosa, expressa a disponibilidade do episcopado brasileiro para «qualquer colaboração» que o prelado necessitar.