Confessores nas basílicas maiores de Roma

Pe. Pedro Fernández fala de sua experiência como confessor em Santa Maria Maior

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ROMA, sexta-feira, 2 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Eles têm um horário fixo, dia de descanso e um par de horas livres para almoçar. Seu escritório não é uma sala com um computador. É um confessionário.

As basílicas maiores de Roma e algumas outras igrejas como a de Jesus (Il Gesú), onde está o túmulo de Santo Inácio de Loyola, oferecem diariamente o serviço de confissão em diversos idiomas, durante todo o dia.

Uma luz vermelha indica que estão disponíveis para administrar este sacramento a quem o busque. Há ali letreiros dos idiomas em que podem ser confessados: inglês, francês, espanhol, italiano, português, polonês e alemão são os mais comuns. Há também avisos que indicam os horários disponíveis.

Alguns fiéis aproximam-se com um pouco de dúvida ou temor e ao final se lançam. Outros vão periodicamente. Especialmente quem vive em Roma.

Nas quatro basílicas maiores, sempre existiu este serviço, organizado pelo Papa São Pio V (1566 – 1572). Depende diretamente da Penitenciaria apostólica, organismo vaticano organismo vaticano encarregado das concessões de indulgências, que assinala a diferentes ordens religiosas a confissão em diferentes basílicas.

Na Basílica de São Pedro estão os franciscanos conventuais, em São João de Latrão, os franciscanos menores, em Santa Maria Maior, os frades dominicanos, e em São Paulo Fora dos Muros, os monges beneditinos.

O sacerdote dominicano Pedro Fernández, confessor em Santa Maria Maior, conversou com ZENIT. Para ele, este trabalho significa “exercitar o sacerdócio que a Igreja me confiou em nome de Cristo. Permite-me estar em contato direto com as pessoas e as almas”.

Ele assinala que sua missão muitas vezes vai além de absolver: “vejo muita solidão. Há penitentes que vêm desejando desabafar, ser escutados. O confessor deve ajudá-los em primeiro lugar a se darem conta dos pecados para poder arrepender-se, porque ninguém se arrepende do que não conhece”.

Inclusive o diálogo com o penitente pode ser uma oportunidade de evangelizar. “Percebe-se muito a ignorância religiosa. Convém que o confessor faça nesse momento uma catequese adequada”.

O padre Fernández admite que para administrar este sacramento como deveria ser, a Igreja necessita de muitas mãos: “se houvesse mais confessores, haveria mais confissões. Sempre custa ir pedir a um sacerdote que me confesse, mas se o vejo sentado disponível, é mais fácil”.

O presbítero enfatizou a importância de que os fiéis vejam este sacramento como um presente e não como um castigo: “Temos de nos aproximar da confissão para acolher este perdão. Aí está a beleza da confissão. É o sacramento da paz consigo mesmo”.

E como em todo trabalho, há dias mais atarefados que outros, em que mais fiéis acorrem e as filas se alongam. “No Advento, Quaresma, nas primeiras sextas-feiras do mês há muito mais gente. É uma experiência estupenda ver uma pessoa arrependida”.

Mas por que contar os pecados a um sacerdote? Por que não confessar com Deus diretamente? São perguntas que muitos católicos fazem. O padre Fernández explica: “a relação com Deus é mediada. Em nossa fé, essa mediação é por meio dos sacramentos, da fé e da experiência mística”.

“Para confessar-se, é preciso ter fé, crer em Deus, em teus pecados e arrepender-se. Não é um caminho imposto pela Igreja. É um caminho que a fé nos indica”.

E assinala o verdadeiro sentido da confissão: “não se trata de um consultório psicológico e que dêem uma razão humana de seus problemas. Sobretudo é o perdão”.

Um sacramento ao qual Bento XVI tem dado grande ênfase neste ano sacerdotal: “o fato de que o Papa recomende aos sacerdotes que nos sentemos a confessar quer dizer que temos de ser conscientes de nossa identidade e santificação”, diz o padre Fernández.

Ele concluiu sua conversa com ZENIT assegurando que ninguém dá o que não tem: “confessando-se é como se aprende a confessar. Dificilmente alguém pode ser confessor se não se confessa bem”.

(Carmen Elena Villa)