Confissão, mão estendida em direção à conversão

Prelado do “Opus Dei” fala sobre seu último livro

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ROMA, segunda-feira, 12 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – A confissão é uma “mão estendida” em direção à conversão, e a Eucaristia é o selo da “amizade inigualável” com Jesus. Este foi o centro da entrevista que Dom Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, concedeu a ZENIT.

Sobre o mistério da Eucaristia, Dom Echavarría publicou o livro “Vivir la Santa Misa” (“Viver a Santa Missa”), da Editora Ares.

ZENIT: Por que a Eucaristia é “o centro e a raiz da vida de todo cristão”?

Dom Echevarría: Colocar a Eucaristia no centro da vida cristã significa colocar Jesus no coração de tudo. Na Eucaristia, estamos chamados a entrar no amor trinitário. Fazendo da Santa Missa o centro da nossa vida interior, nós nos unimos a Jesus e, n'Ele, a toda a Igreja, a todos os homens.

Este era o contínuo ensinamento de São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, que dizia: “Se no centro dos seus pensamentos e das suas esperanças está o tabernáculo, como serão abundantes, meu filho, os frutos de santidade e de apostolado!”. Jesus Eucarístico é o cume do dom de Si à humanidade; portanto, se nos identificamos com Ele, nos transmitirá a mesma vontade de incrementar o dom de nós mesmos e nosso serviço aos outros.

ZENIT: Qual é a importância, no carisma do Opus Dei, da prática da Confissão e da Eucaristia?

Dom Echevarría: No espírito do Opus Dei, os sacramentos da Penitência e da Eucaristia têm a importância que têm para a Igreja: como todos os cristãos, tentamos ser pessoas penitentes e eucarísticas, com uma prática frequente da Confissão e a participação diária na Santa Missa.

O sacramento da Reconciliação está profundamente ligado à Eucaristia. A Confissão pressupõe a consciência de ser pecadores, com fé na misericórdia divina. Jesus nos purifica em seu sangue derramado na Cruz por nós, para que o cristão possa participar com mais fidelidade do sacrifício do Calvário, que se faz presente cada dia na Santa Missa.

Ambos os sacramentos culminam a alma de alegria e paz, como com o bom ladrão que, vendo Jesus no Calvário, sentiu-se impelido a reconhecer seus pecados, movido pela contrição e, assim, encontrou a salvação eterna.

Insisto: a Confissão é muito importante na vida do cristão, porque é um sacramento de alegria e é a porta de acesso à paz e à felicidade que estão dentro da Eucaristia.

ZENIT: Está sendo realizado o Congresso Eucarístico Nacional. Que sugestões o senhor daria para que as práticas da Confissão e da comunhão fossem mais intensas e generalizadas?

Dom Echevarría: A Igreja ensina, desde sempre, que no tabernáculo se encontra a fortaleza, o refúgio mais seguro contra os temores e as inquietudes. Não basta que cada um de nós, individualmente, busque e encontre o Senhor na Eucaristia: devemos conseguir “contagiar”, com o nosso testemunho, o máximo possível de pessoas, para que também elas contemplem e descubram esta amizade inigualável.

A comunhão espiritual é uma grande ajuda na preparação para a comunhão eucarística. Para ser homens e mulheres conscientes da nossa filiação divina, devemos frequentar Cristo cada vez mais, recebendo-O, se pudermos, todos os dias.

Quanto à Penitência, considero que é muito importante a disponibilidade generosa dos sacerdotes para a escuta das confissões: um confessor disponível, um confessionário “com a luz verde” são uma mão estendida em direção à conversão.

Sobre este ponto, Bento XVI nos sugeriu recentemente “seguir o exemplo dos grandes santos da história, de São João Maria Vianney a São João Bosco,de São Josemaría Escrivá a São Pio de Pietrelcina, de São José Cafasso a São Leopoldo Mandic”(Discurso aos participantes do curso organizado pela Penitenciaria Apostólica, 2011).