Confissões do novo mestre dos dominicanos

Primeira entrevista do padre Bruno Cadoré

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ROMA, quarta-feira, 8 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – O novo mestre dos dominicanos, padre Bruno Cadoré, fala em sua primeira entrevista sobre a vocação, em que teve um papel decisivo seu trabalho como médico, e afirma que sua missão, como sucessor de São Domingos de Gusmão, será ser “servidor da unidade entre todos os irmãos”.

O sacerdote francês, de 56 anos, eleito superior dos mais de seis mil dominicanos do mundo, narra em vídeo-reportagem, veiculada pela agência H2onews, que sua vida de jovem pediatra mudou inesperadamente no dia em que ele pisou na igreja de um convento.

“Não sei por que, mas estava buscando uma igreja onde houvesse um convento dominicano, e cheguei num dia em que a comunidade estava rezando – afirma –. Pude ver uma comunidade de frades que davam a impressão de ser livres e felizes.”

“E eu – prossegue –, nesse momento, buscava algo. Como eu trabalhava com crianças enfermas, fazia-me perguntas e pensei que eles podiam ter outro ponto de vista sobre o mundo, mais além da enfermidade, da morte e das dificuldades da vida. E depois entrei nessa igreja. Ali tive a impressão de que buscavam algo que era certo, livre e feliz.”

Deste modo, entrou na Ordem dos Pregadores, onde depois do noviciado foi enviado dois anos em missão ao Haiti.

“Foi para mim um momento muito importante – confessa –. Antes de tudo, eu não sabia o que era uma comunidade de pregadores. Ademais, não conhecia esse lado do mundo: as pessoas vivem em situações extremamente precárias; naquela época, era um momento de ditadura, tudo muito desorganizado.”

“E ali pude ver a vida dos enfermos, que viviam em uma grande região, no campo, nas montanhas e que estavam organizando as paróquias em comunidades eclesiais de base, que se chamavam fraternidades. Nesses dois anos de vida, dedicados a viver com o povo, a conhecer o Evangelho com eles, creio que aprendi com eles o Evangelho, e isso foi crucial para mim, porque nunca me esqueci”, afirma o superior.

Para o novo mestre da Ordem, “um dominicano é um frade pregador, portanto, é um ‘irmão’, que vive com os irmãos, que quer viver com seus irmãos, porque é ali onde compartilha a Palavra de Deus, e é ali onde nos convertemos nos seres humanos que somos. ‘Pregadores’ que pregam tentando atuar como Jesus fazia, quer dizer, saindo ao encontro das pessoas, amando-as, escutando-as, tomando-nos um tempo para saber o que é sua vida, quais são suas perguntas, vivendo com elas, e buscando com elas qual é a verdade da Palavra de Deus”.

Pelo que se refere a sua missão como mestre, reconhece com grande humildade: “não sei muito bem qual é a função. Vou descobrir”.

“Eu sei qual foi a função dos mestres da Ordem que conheci, mas não sei bem como se realiza – continua explicando –. Tenho a impressão de que seu trabalho essencial é conhecer os irmãos, aprender a amá-los, valorizar o que pregam, descobrir as pessoas com as quais vive, prega e, por isso, descobrir como a Palavra de Deus se revela entre as pessoas através da pregação, quer dizer, através da palavra trocada e do diálogo com as pessoas.”

“Creio também que o mestre da Ordem é o servidor da unidade entre todos os irmãos, todas as comunidades, as províncias, e todas as culturas que são tão diferentes.”

“Com o mistério de uma unidade que nos foi dada, creio, através da alegria de ser destinatários da Palavra de Deus, a alegria de amar as pessoas como filhos de Deus e, poderia dizer, como Domingos, como ele fez; liberdade, a liberdade de dedicar o tempo para buscar verdadeiramente com as pessoas qual é a vida da vida, que é a vida dentro da vida.”