Congo: incompreensível indiferença da mídia e da comunidade internacional

Declarações de dom Bernard Kasanda, bispo de Mbuji-Mayi

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ROMA, terça-feira, 26 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - "As informações raras sugerem que são eventos de pouca relevância. Mas não são. A ferida é profunda e é o coração da nação que está sendo atingido". Em conversa com a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o bispo Bernard Kasanda, de Mbuji-Mayi, condena veementemente a atual situação na República Democrática do Congo e a incapacidade da comunidade internacional de combater a invasão de Kivu do Norte.

O bispo confidenciou à fundação papal que não esperava tal escalada do conflito, com a tomada de Goma pelos rebeldes. "Isso não tira o fato de que o acontecido nos últimos anos, a cumplicidade da comunidade internacional e a escolha de Ruanda como membro do Conselho de Segurança, apesar das acusações de violação da integridade territorial do Congo, já deixassem vislumbrar com clareza esse fato, ou seja, a invasão da parte oriental do país".

A grande riqueza mineral e os campos de petróleo estão entre as principais causas da instabilidade. O bispo acredita que, "se não forem tomadas medidas para pará-los de uma vez por todas", os rebeldes poderão chegar a Bukavu, capital da província de Kivu do Sul.

De acordo com dom Kasanda, as esperanças de uma intervenção são poucas inclusive por causa dos 14 anos de presença da ONU, que não deram qualquer resultado. "As forças de paz da ONU e as autoridades políticas ficaram repetindo ‘mantenham a calma, não tenham medo’, e, agora que os rebeldes conquistaram o leste do país, eles não reagem. É incompreensível".

Visivelmente preocupado com os acontecimentos, o bispo fez um apelo para a mídia: "A indiferença total para com o que estamos vivenciando se deve, em parte, à falta de informação. As notícias são filtradas e ajustadas para atingir objetivos específicos. Ninguém entende a gravidade do que está acontecendo: a dignidade humana é espezinhada regularmente e os congoleses são contínua e vergonhosamente humilhados".