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Entrevista com o cardeal Kurt Koch, responsável pelo ecumenismo da Santa Sé, na véspera da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Jose Antonio Varela Vidal | 1016 visitas

A primeira parte da entrevista com o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristão, foi publicada terça-feira, 15 de janeiro.

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ZENIT: Há ainda preocupação por algumas das decisões da Igreja Anglicana que, de fato, a distanciam de Roma?

Cardeal Koch: Nosso objetivo da unidade é a unidade na fé, nos sacramentos e nos ministérios; e se os anglicanos mudarem tudo no ministério, torna-se um grande desafio também para nós. Uma vez que este desenvolvimento mundial dos anglicanos provoca uma série de tensões na comunidade anglicana, este é também um grande desafio para nós. Nós queremos e devemos ajudar a recuperar a unidade anglicana mas só se os anglicanos quiserem nossa ajuda.

ZENIT: Outra questão que preocupa a todos é a secularização na Europa e em outros lugares. Como as igrejas cristãs podem responder a essas correntes, que anulam e apagam a Deus da vida pública?

Cardeal Koch: Em primeiro lugar, os cristãos na Europa devem considerar a sua responsabilidade neste desenvolvimento, porque depois da Reforma temos os cisma, a divisão, e depois da separação tivemos muitas guerras confessionais. E eu diria que essas guerras e divisões fizeram que a religião não fosse mais o fundamento da unidade da sociedade européia, mas a raiz de todos os conflitos. Neste sentido, a sociedade moderna teve que encontrar um novo fundamento para a unidade na sociedade independente da religião.

ZENIT: O que o senhor diz, explica muitas coisas ...

Cardeal Koch: Neste sentido, o outro lado da moeda seria que se o cristianismo quiser ajudar a encontrar a dimensão religiosa e transcendente na sociedade europeia, deve reencontrar a sua unidade. O ecumenismo é agora um grande desafio para a situação muito secularizada na Europa, porque só uma voz comum de todos os cristãos - com os valores cristãos - ajudará a reencontrar os valores cristãos fundamentais na história da Europa.

ZENIT: E a opção da Igreja Católica pela Nova Evangelização foi recebida de que forma pelas outras igrejas cristãs?

Cardeal Koch: A Nova Evangelização deve ter uma dimensão ecumênica, porque é óbvio que na oração sacerdotal de Jesus, Ele reza para que todos sejam uma coisa só, para que o mundo creia. A credibilidade do anúncio do Evangelho depende da unidade da Igreja. Tenho muitos parceiros ecumênicos que estão felizes com essa iniciativa; por outro lado, ainda há alguns que não o estão. É muito importante incentivar a todos os parceiros ecumênicos, para aprofundarem este desafio da Nova Evangelização.

ZENIT: Quais são as igrejas mais entusiastas?

Cardeal Koch: Devo dizer que hoje temos uma grande divisão no ecumenismo que atravessa as igrejas. Por um lado temos um ecumenismo liberal entre católicos e reformados. E por outro temos a visão de aprofundar o fundamento da fé entre as comunidades evangélicas e católicas. No segundo grupo a Nova Evangelização é um grande desafio.

ZENIT: Agora, quais são os projetos do seu dicastério?

Cardeal Koch: Em primeiro lugar, neste Ano da Fé, o desafio será aprofundar o fundamento da fé no ecumenismo, porque o ecumenismo não é uma questão diplomática ou política, mas é uma questão de fé. Devemos reencontrar a fé comum e a confissão da fé apostólica e aprofundar no objetivo comum do ecumenismo. A segunda questão é o aprofundamento da vida espiritual, e a redescoberta das raízes espirituais do ecumenismo e do compromisso com a unidade.

ZENIT: Afinal, qual deveria ser a atitude do católico diante dos outros cristãos?

Cardeal Koch: Parece-me muito importante a frase do beato João Paulo II, segundo a qual o ecumenismo não é somente uma troca de ideias mas “uma troca de dons”. Cada uma das igrejas tem tesouros especiais na própria tradição de fé. Portanto, não devemos ter medo do ecumenismo, porque é um enriquecimento. A minha experiência pessoal é que, com o ecumenismo, tornei-me muito mais católico. Porque também vejo as grandes coisas, as vantagens da nossa Igreja, especialmente o grande presente que recebemos com o papado, com o primado do bispo de Roma como centro da unidade da nossa Igreja; e isso é uma grande vantagem.

ZENIT: Uma grande visão...

Cardeal Koch: o Papa Pio XII disse que o ecumenismo é uma idéia do Espírito Santo. Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI, estão todos convencidos de que o ecumenismo é um dom do Espírito Santo e que devemos ter um coração aberto para esse dom; e ouvir bem o que o Espírito Santo nos quer dizer na situação atual do ecumenismo.

Para participar da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2013 (várias línguas):

www.vatican.va / roman_curia / pontifical_councils / chrstuni / sub-índice / index_weeks-prayer_it.htm