Conselhos práticos para oratória e pregação

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1533 visitas

QUANTO À FORMA

Adotar um tom ameno e simples em todo o discurso.

Evitar o perigo de fazer literatura, descuidando o caráter persuasivo do discurso.

Sensibilizar os argumentos: quanto mais, melhor.

Aplicar os diversos métodos de sensibilização (concretização, desenvolvimento, visualização, dramatização) escolhendo bem o afeto que se quer despertar.

Não se exceder nas enumerações nem cansar com exemplos excessivos.

Evitar os lugares comuns, as frases feitas.

Diante de imprevistos (barulhos, microfones…), agir com humor e elegância, para controlar o nervosismo e a eventual irritação.

É mais fácil e eficaz falar sem ler. Mas se não houver remédio:

- Imprimir os textos com espaçamento duplo.

- Olhar alternadamente, com naturalidade, para o papel e para o rosto dos espectadores.

- Trazer já sublinhados no papel o início dos parágrafos e as ideias mais importantes.

Vídeos e apresentações:

Ponto positivo: Vale mais uma boa imagem do que mil palavras, é verdade. O principiante se entusiasma com as ajudas visuais.

Ponto negativo: Vale muito mais, porém, uma mensagem pessoal, transmitida com toda a pessoa, em palavras e gestos, do que todos os vídeos juntos. Usando slides, não vejo os rostos do auditório nem o auditório vê o meu. Acontecem falhas técnicas. Atrapalha-se a passagem dos assistentes. A visão das últimas filas é ruim. Se mesmo assim você usar vídeos, chegue antes e ensaie tudo primeiro.

Nas imagens:

É melhor usar poucas, mas bem selecionadas.

Devem ser imagens oratórias, não meramente literárias.

Que sejam cheias de cor e dinamismo.

Buscá-las no ambiente do público.

Que sejam incisivas e fiquem gravadas na mente dos ouvintes.

Historinhas:

Use-as com discrição.

Não transforme o discurso num balaio de citações, historinhas e relatos.

Escolha bem, para que elas não sejam um corpo estranho no discurso. Integre-as com o fundo.

Misture as histórias e as citações com o fundo para não ficar alternando “blocos agradáveis” com “blocos pesados”: todo o discurso deve ser homogêneo e interessante.

Evite historietas menos aptas para um orador sagrado, pois elas podem ser contraproducentes.

Evite casos que se prestem a polêmica.

Diga o autor da citação quando a sua autoridade apoiar as suas ideias.

Exórdio:

- Deve ser bem integrado ao discurso (“ex visceribus rei”).

- Promova o interesse e a clareza.

- Aborde, já no exórdio, o problema do ouvinte, para que ele se sinta aludido.

- Desperte desejo de escutar o resto, mas de forma atrativa, não extravagante.

- Seja original, mas sem forçar nem ser vulgar.

Peroração:

- Recapitule brevemente o discurso.

- Procure deixar uma frase breve e crucial como diretriz, para que o ouvinte guarde a ideia central do discurso.

- Que seja simples, clara e fácil de recordar. Procure repeti-la várias vezes para deixá-la gravada, mas sem cansar o auditório.

Dúvida os sugestões? Comunique-se, por favor, com o pe. Antonio Rivero: arivero@legionaries.org                                                                                                                                                                                                             

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