Contra o abuso não basta a "tolerância zero", serve a prevenção

Padre Lombardi comenta a iniciativa da Universidade Gregoriana

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ROMA, segunda-feira, 06 de janeiro de 2012(ZENIT.org) – O Simpósio que acontece de 6 a 9 de fevereiro com o tema Em direção à cura e à renovação, além do rigor em relação aos crimes de abuso contra menores cometidos por ministros da Igreja, procura identificar um percurso que possa ajudar as vítimas e também criar condições para evitar que pecados similares se repitam no futuro.

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Não se trata simplesmente de um congresso, pois prosseguirá com a criação de um centro que continuará o trabalho e que permitirá manter contato, também on-line, para aprofundar e receber o apoio necessário.

Destacou, sexta-feira passada no edifício Frascara da Pontifícia Universidade Gregoriana, o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Pe Federico Lombardi,S.I., durante entrevista concedida ao ZENIT após a apresentação do evento à imprensa.

O que mudou depois da carta circular da Congregação para a doutrina da fé de 2011?

Padre Lombardi: Muitas conferências episcopais formaram comissões para preparar estas diretrizes que a circular solicita. E o encontro acontece nesta fase onde as conferências episcopais, após terem recebido a circular, estão trabalhando para colocar em prática o que foi solicitado, ou seja, a formulação de suas diretrizes.

O que quer dizer formular diretrizes?

Padre Lombardi: Formular diretrizes quer dizer fazer um documento, e também colocá-loem prática. Será útil tudo aquilo que é troca de experiência. E a criação do centro continuará o trabalho deste simpósio e permitirá manter contato e aprofundar, aprender e ter toda a documentação sobre as experiências que outros países fazem.

O que quer dizer?

Padre Lombardi: Quer dizer, um procedimento, um caminhar ativamente na Igreja para progredir mais na capacidade de enfrentar e superar estes problemas. Seja na escuta das vítimas, na compreensão de seu sofrimento, na ajuda pela sua cura, ou, na prevenção para que este tipo de problema não seja mais criado.

Então um título para o simpósio como “tolerância zero” não teria comunicado a idéia...

Padre Lombardi: “Tolerância zero” me parece um título muito limitado porque quer dizer somente rigor e severidade. A severidade é justa, não precisa ser indulgente em relação aos delitos e os crimes graves. Mas aqui se fala principalmente de um caminho positivo, capaz de remediar de qualquer maneira os danos feitos e depois evitar que outros sejam criados.

Quer dizer então não apenas regras rígidas?

Padre Lombardi: Não se trata apenas de dar regras rígidas, se trata de entender o que vive as pessoas envolvidas e como podem enfrentar as coisas em um organismo vivo, em uma entidade viva como a Igreja, inserida em um organismo vivo como é a sociedade. Na verdade, desejamos que os problemas que continuam a surgir todos os dias, sejam tratados da melhor forma.

Haverá também uma cerimônia penitencial?

Padre Lombardi: Acontecerão duas cerimônias durante o simpósio: a primeira, penitencial, na terça-feira, onde haverá o pedido de perdão, de reconciliação, presidida pelo cardeal Marc Oullet, prefeito da Congregação dos Bispos. A outra, será a celebração eucarística, presidida pelo cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a evangelização dos povos.

Esta plataforma de ajuda será tipo um “número verde”?

Padre Lombardi: Não, os centros de escuta serão construídos localmente. A Igreja, nos projetos e linhas de ação nos diversos países, deve ter centros de escuta e pessoas prontas para escutar os problemas das vítimas. Não, está em um nível superior, de e-learning, quer dizer cursos de aprofundamento mais especializado, centros de documentação para coleta de experiências e ainda documentação científica, à disposição de quem trabalha neste campo profissionalmente ou pastoralmente.

Como nasceu esta importante iniciativa e como foi coligada à Gregoriana?

Padre Lombardi: A iniciativa nasceu da própria Gregoriana como proposta de serviço à Igreja. É uma Universidade pontifícia e então vive a serviço da Igreja.

Um grande centro acadêmico onde se encontram também as competências para organizar este tipo de iniciativa, que requer competências de caráter teológico, moral, jurídico, canônico, pastoral e psicológico.

O Instituto de psicologia da Gregoriana administrou a organização da iniciativa, e continuará administrando este centro especializado após o simpósio. A Gregoriana também tem uma grande experiência de serviço à Igreja, aos bispos e ao clero, então é muito natural que acolha uma iniciativa deste gênero.

 (tradução:MEM)