Conversa de família

Reflexões espirituais de Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará

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BELÉM DO PARÁ, segunda-feira, 01 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Aqui estamos, Maria de Nazaré, Nossa Senhora das multidões, das casas e dos corações. Somos muitos e somos um só, somos diferentes e muito parecidos uns com os outros, pois o mesmo sentimento de carinho e confiança nos une contigo, tu que foste escolhida pelo Pai do Céu para seres Mãe do Filho Amado. Aquele dia, em Nazaré, teu silêncio de Menina, formada na fidelidade às promessas antigas, tornou-se resposta que ecoa pelos séculos e vai conosco até a eternidade. Em ti, Maria de Nazaré, nós reconhecemos a esperança de todos os povos. Em Nazaré, Deus ouviu nosso “sim” ao seu plano de salvação para todos os homens e mulheres de todos os tempos. Deus nos levou a sério!

E te fizeste Mãe, em Belém de Judá, pequena entre muitas cidades, que se fez grande porque de lá se levantou o Salvador, aquele que é a nossa paz. Em Belém te fizeste Mãe, de Belém nascemos nós, do Forte do Presépio brotou outra Menina, cidade grande de quase quatrocentos anos. E aqui se ajuntaram multidões, rios de gente que acorrem a esta terra, apenas para se encantarem, quais crianças que teimam em não crescer e chamar-te “Lírio mimoso”, sem medo de chorar diante dos outros, sorrir, clamar e gritar vivas. Mãe de Nazaré e de Belém, somos afeto, emoção e carinho, para correr atrás de tua Imagem, novamente peregrinos, romeiros, filhos e irmãos!

Queremos hoje olhar para ti! Nos séculos que se passaram, tua imagem, obra de arte da qual todos nos sentimos autores, tem um Menino nos braços. O outro braço está pronto para acolher, livre para amar os muitos filhos que a ti acorrem. Queremos pedir-te colo de mãe para todos os que se reconhecem filhos. É que, aos pés da Cruz de teu Filho, um apóstolo era nosso representante, e tu nos recebeste como filhos, para acompanhares a Igreja em sua peregrinação da fé até o final dos tempos. Neste Círio de Nazaré, queremos, ó Mãe, assumir o nosso lugar!

Em teu colo de mãe, queremos espaço para os que estão mais distantes, ainda que próximos uns dos outros no empurra-empurra dos dia a dia. Tece, ó Mãe Admirável, cordas de amor que alcancem todos os que se afastaram da Igreja e os que estão mergulhados na lama do pecado, para que voltem a Jesus. Olha para todas as pessoas que clamam por bondade, Mãe de Misericórdia. E roga por nós todos, pecadores, agora e na hora de nossa morte!

Nossa Senhora de Belém, tu que trouxeste aos braços o Deus que se fez Carne, recebe as nossas crianças. Cuida com carinho daquelas que ainda esperam generosidade de seus pais e mães para nascer. Faze com que nosso tempo descubra de novo que filho é bênção! De teu Filho amado pede a bênção para os que são filhos e filhas em nossas famílias. Contempla do Céu, Senhora de Nazaré, as muitas imagens retratadas em mãos e mães, que se estendem confiantes, mostrando fotografias recentes e antigas, pois para as mães os filhos são sempre meninos e meninas, mesmo quando crescem! Como visitaste tua prima Isabel, tua presença amiga faça exultar de alegria todos os que se sentem filhos!

Nossa Senhora da Piedade, Senhora das Dores e da Consolação, recebe em teu braço o mistério do sofrimento humano. Doenças do corpo e da alma, angústias, divisões nas famílias, gritos surdos que teimam em se fazer vivos ou, quem sabe, silêncio marcado por revoltas e perguntas sem respostas. Acolhe os olhares angustiados, as mãos calejadas, os pés machucados, a fadiga do dia a dia, os homens e mulheres sem esperança, a falta de recursos e de trabalho, os passos errantes de tantas pessoas que no Círio encontram de novo o alento.

Rainha das famílias, recebe na Nazaré de hoje as nossas famílias. Ajuda-nos, com tua oração ao Filho amado, a levar do Círio para nossas casas a certeza de que não estamos sozinhos, mas somos a grande Família dos Filhos de Deus. Em teu colo de Mãe, os casais renovem seus laços matrimoniais, os filhos encontrem afeto, a chama do amor não se apague em nossas casas.

Nossa Senhora das mãos estendidas, olha para tantas mãos que se elevam no Círio de Nazaré. Mãos delicadas ou feridas, mãos que se unem ou mãos que se apartam, mãos que recebem e expressam os impulsos do coração. Estende tua mão e acolhe com bondade os que querem conhecer e amar Jesus!

Maria de Nazaré, Maria, Mãe da Igreja, Nossa Senhora da Esperança, somos Igreja peregrina, que quer ser fiel ao teu Filho amado. Desejamos professar e renovar a fé que recebemos no Batismo. Queremos contar a todos a boa nova do Evangelho e caminhar na esperança, para que toda a nossa vida seja sinal do Reino de Deus. Toda a nossa vida seja para o louvor e a glória de Deus.

Queremos caminhar juntos, peregrinos da fé, “ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, com Maria e do jeito de Maria”! Amém!

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém