Conversão é mensagem essencial ao seguimento de Cristo, afirma cardeal

Segundo Dom Eusébio Scheid, é preciso abrir o coração à misericórdia de Deus

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RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 19 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- A conversão é mensagem essencial ao seguimento de Cristo e, diante da realidade do pecado, o dever do fiel é não fugir, mas abrir o coração à reconciliação com Deus, afirma o cardeal Eusébio Scheid.



Em mensagem desta semana aos fiéis de sua arquidiocese, o arcebispo do Rio de Janeiro discute uma das exortações de Jesus mais acentuadas pelos Evangelistas sinóticos: a conversão.

«É mensagem essencial ao nosso seguimento do Senhor, porém, freqüentemente, impopular na sua radicalidade», afirma.

Segundo Dom Eusébio Scheid, a palavra “conversão” vem do latim vertere (dirigir-se para) e convertere (voltar ao rumo certo) – «ao convívio com Deus e com os irmãos, conforme a norma estabelecida pelo próprio Senhor».

«O contrário disto é a “aversão” – prossegue o cardeal –, isto é, afastar-se na direção oposta. A primigênia ruptura da comunhão com Deus foi iniciativa de nossos primeiros pais, cujo triste exemplo é narrado, pedagogicamente, no Livro das Origens (cf. Gn 3)».

«A imediata conseqüência do seu pecado foi o medo, ao ouvirem a voz de Deus. Fugiram, porque se viram nus, isto é, reconheceram toda a miséria na qual haviam caído, pela soberba, desobediência, autonomia.»

Mas essa é a pior atitude, segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, pois o pecador que se esconde jamais pode se converter.

«Portanto, se eu escuto a voz de Deus, que pode ser pela consciência, ou através de outro que me fala, não devo fugir. Aliás, não posso fugir, porque esse chamado ao arrependimento ressoará em meu interior, até que me disponha à reconciliação com Deus», afirma.

De acordo com o cardeal Sheid, para entender isso, é preciso abordar a questão do pecado: «triste realidade de trevas e desajuste, comum a todos os seres humanos».

«Cometer pecado significa, em primeiro lugar, perder o rumo – avertere (afastar-se), em razão de já não se ter a “bússola”, que orienta a própria caminhada de vida. Assim aconteceu com a geração no tempo de Noé e com as cidades de Sodoma e Gomorra (cf. Gn 6-7.19).»

Segundo o arcebispo, o segundo sentido do pecado é a apropriação daquilo que não nos pertence.

«Aquele que invade a propriedade alheia torna-se ladrão. Mas também existe o indivíduo invasivo da privacidade dos demais, principalmente nos dias que correm, em que a moderna tecnologia pode ser empregada em inusitadas formas de violação dos direitos das pessoas.»

Outra forma de violação, de acordo com Dom Eusébio, é a agressão à santidade do próprio corpo.

«Como cristãos, somos propriedade de Deus, porque Ele nos carimbou com o caráter do Batismo», afirma.

O terceiro sentido do pecado pessoal – explica o cardeal Scheid – «e, mais ainda, do pecado social, é o peso do remorso que carregamos, acarretando a tristeza que nos invade».

Mas falar de pecado é falar também da misericórdia de Deus, afirma o arcebispo, que recorda a passagem do Evangelho de Mateus em que Jesus diz: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei (…)”.

«A conversão maior é abraçar a Cruz de Cristo, na qual foram destruídos o pecado e a morte. Morrendo com Cristo para tudo o que é mau, sepultamos o homem velho, cheio de vícios, para ressurgirmos com o Senhor, que nos deu vida nova.»

«Dessa fonte brotam o Batismo, a Eucaristia e todos os demais Sacramentos, para a nossa santificação. Saibamos acolhê-los, como terra sedenta que somos, necessitada da irrigação do Espírito Santo, para poder dar frutos», afirma o arcebispo do Rio de Janeiro.