Conversões forçadas de mulheres Paquistanesas ao Islã

O presidente da Conferência Episcopal convida para o diálogo inter-religioso

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ISLAMABAD, quinta-feira, 10 de novembro de 2011 (ZENIT.org) - Um ano após a sentença de morte de Ásia Bibi - uma mulher cristã acusada de blasfêmia - o presidente da Conferência Episcopal do Paquistão denunciou o crescimento do extremismo islâmico em seu país .Em declaração feita pelo jornal da Santa Sé - L'Osservatore Romano - chamou a atenção de vários casos de conversões forçadas de mulheres ao Islã, relatados por uma ONG.

Enquanto o "extremismo islâmico cresce fortemente nos últimos anos e afeta a vida social e política do país", "as minorias religiosas do Paquistão enfrentam a discriminação no silêncio do governo e das instituições." Disse à Fides (07 de novembro) Dom Joseph Coutts, bispo de Faisalabad e presidente da Conferência Episcopal do Paquistão  "(PCBC), marcando o primeiro aniversário da sentença de morte imposta a Asia Bibi, uma mãe cristã injustamente acusada de blasfêmia e condenada pelo tribunal de Sheikupura em 8 de novembro de 2010.

"Um ano depois do trágico veredicto - disse Mons. Coutts - as condições das minorias religiosas não mudaram para melhor, pelo contrário, o país é assolado por graves problemas políticos, econômicos, sociais, morais e religiosos que refletem sobre os cidadãos muçulmanos e não muçulmanos. Em um ano, o país perdeu dois titulares contra a lei de blasfêmia, Shabhaz Bhatti e Salman Taseer, enquanto aquela lei injusta não foi tocada ou desafiada. "

"Enquanto isso - continuou o prelado - o fenômeno do extremismo islâmico tem crescido, com grupos que explicitamente pretendem impor a lei islâmica e estabelecer uma teocracia. O trabalho deles afeta as minorias cristãs e hindus, mas também outras minorias, como ahmadis e xiitas. É um fenômeno complexo e preocupante, que afeta toda a estrutura e o sistema do país. "

De acordo com o bispo, "estes grupos extremistas têm uma forte influência sobre os tribunais", com uma "pressão indireta sobre os juízes e testemunhas," que prejudica a aplicação da lei.

"Como Igreja Católica e comunidade cristã, estamos trabalhando junto com a sociedade civil, para promover uma nova cultura de diálogo inter-religioso, harmonia social, fraternidade, compreensão mútua, juntamente com todas as pessoas de boa vontade, independentemente da sua fé", concluiu o bispo.

Para confirmar a situação dos cristãos que vivem no Paquistão está o jornal L'Osservatore Romano  de terça - feira, 8 de novembro, com referência aos incidentes de perseguição coletados por uma ONG e relatados pela Fides.

De acordo com a ONG World Vision in Progress, a perseguição de um casal cristão ocorre sob o disfarce de políticos influentes da Pakistan Muslim League-N, um partido que está representado no parlamento nacional e governa a província de Punjab. Os alto-falantes da mesquita Farooqabad anunciou oficialmente que o casal "Shahzad Masih e Rukhsana Bibi se converteu ao islamismo e abandonou a fé cristã" (Fides, 04 de novembro).  De acordo com dados da ONG, ao longo dos últimos três meses foram registrados em Punjab, 24 casos de conversões forçadas de mulheres cristãs ao Islã. Além disso, 96% dos casos de blasfêmia vem da mesma província e quase sempre os falsos acusadores não são punidos.

Durante um encontro de oração pela paz, organizado na capital de Sind, o arcebispo de Karachi, Dom Evarist Pinto, lançou um apelo à reconciliação. O evento, patrocinado pela associação de jornalistas Karachi Press Club, contou com a presença de cristãos, muçulmanos e hindus. "Não podemos desconsiderar que somos todos irmãos e irmãs aos olhos de Deus", disse o bispo ao público inter-religioso, convidando os fiéis de todas as religiões a viverem paz. Comolembrado pela Ajuda à Igreja que Sofre (05 de novembro), foi a primeira vez que membros do partido fundamentalista Jamiat-e-Islami participaram de uma iniciativa do gênero.

Em seu discurso, Monsenhor Pinto expressou preocupação com o crescente número de casos de violência no Paquistão. "Por isso, nós, cristãos, nos voltamos para Jesus, acreditando que Cristo não leva apenas uma mensagem de paz, mas ele mesmo é a paz", sublinhou o arcebispo.