Coreia do Sul: a primeira mulher presidente

Vitória histórica de Park Geun-hye, eleita com 51,6% dos votos

Roma, (Zenit.org) Daniele Trenca | 1386 visitas

2013 será um ano importante para a Coreia do Sul. O país será chamado a desafios importantes, decisivos até, como o relacionamento com os "primos" do Norte e com o governo de Pyongyang. A partir deste ano, haverá ainda uma novidade absoluta: Park Geun-hye é a primeira mulher eleita presidente da República. Uma grande vitória, num país em que oito de cada dez deputados são homens.

A primeira mulher presidente da Coreia do Sul e a décima primeira pessoa a presidir o país asiático foi eleita com 51,6% dos votos, contra 48% do oponente Moon Jae-in. Apesar de reinar a incerteza, o comparecimento às urnas foi recorde, com quase 76%. Na Coreia, a chegada ao mais alto cargo não é apenas uma vitória da emancipação das mulheres, mas o início da mudança num modo de pensar que achava que as mulheres devem ficar de fora de certas áreas, sendo a política a primeira de todas.

Muitos desafios afetarão a nova presidente, que anunciou que "vai lutar pelas necessidades das pessoas e abrir uma era de felicidade". Promessas de campanha à parte, agora vêm os fatos. O cavalo de batalha de Park na campanha eleitoral foi o forte nacionalismo coreano, especialmente no tocante ao inimigo japonês e ao aliado norte-americano. Dentro de um mês, ela se tornará oficialmente a nova inquilina do Palácio Presidencial, em Seul, a chamada Casa Azul, para um quinquênio cheio de desafios. O maior deles: estabelecer um diálogo com a Coreia do Norte. Após a divisão, em 1953, a reconciliação pode enfim começar, junto com os primeiros passos para a reunificação final. As provocações da Coreia do Norte, no entanto, inclusive na política atômica, ainda são fortes e fazem tremer as diplomacias de meio mundo, começando pela dos EUA.

A Coréia do Sul é o quarto país no ranking das potências asiáticas, com a taxa de desemprego mais baixa do mundo (2,8%). É um dos poucos países com excedente orçamentário, mas os coreanos, mesmo assim, estão preocupados com a economia em desaceleração. O sistema de bem-estar precisa de retoques em favor da população, que se encontra diante de um rápido envelhecimento e ainda sofre com grandes áreas de pobreza.

Apesar de ser considerada uma democracia viva e livre, o poder no país fica concentrado nas mãos do presidente. Park é da ala conservadora e preside o Partido Nova Fronteira (Saenuri). É filha do general Park Chung-hee, que foi presidente do país entre 1961 e 1979, após um golpe de Estado, e terminou assassinado quando ainda estava no poder. Em setembro passado, talvez em vista da iminente campanha eleitoral, a agora nova presidente pediu desculpas aos compatriotas pelos abusos que ocorreram durante a ditadura de seu pai.

É claro que esta eleição não é sinônimo de igualdade entre os sexos, mas certamente significa uma vitória apertada para as mulheres, demonstrando que elas também podem sentar-se em lugares que, no mundo todo, especialmente por aquelas bandas, sempre foram considerados como postos de trabalho dos homens.