Coreia do Sul: xamãs exigem festa nacional

Afirmam ser a religião mais antiga do país

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ROMA, quarta-feira, 28 de novembro de 2012 (ZENIT.org) – No último 23 de novembro, a Comissão para o Dia Nacional do Xamã reuniu mais de trezentos mudangs emSeul para uma demonstração dos seus rituais em público: uma operação notável para recuperar o terreno religioso que eles consideram ter sido “roubado” e para pedir a criação oficial do Dia Nacional do Xamã.

Representando a mais antiga forma de religião da Coreia, conforme reportagem da agência Eglises d'Asie, os xamãs mantêm um lugar importante na sociedade, mas consideram discriminatório não ser reconhecidos oficialmente.

Hoje, os mudangs, praticantes do xamanismo, mulheres em quase a sua totalidade, acreditam que os seus contemporâneos os vêem apenas como representantes do folclore local. Como todos os seus homólogos da região norte-asiática, a função principal dos xamãs coreanos é afugentar os maus espíritos e granjear a benevolência dos que podem trazer saúde e prosperidade à comunidade. Mediadores entre o mundo dos espíritos e o mundo dos homens, sendo os únicos que podem circular entre os dois universos mediante a “viagem xamanista”, os mundangs negociam com os espíritos o bem da comunidade dos homens e se comunicam com as almas dos mortos.

Sob o efeito conjunto da difusão do budismo, do taoísmo e do confucionismo, o xamanismo coreano se enriqueceu, ao longo dos séculos, com essas diferentes tradições, formando um sincretismo especificamente coreano. Graças ao processo inverso, também impregnou as religiões que se desenvolveram ulteriormente na Coreia, como é demonstrado por certas particularidades do cristianismo coreano, em especial na forma protestante evangélica, que dá grande importância à prosperidade material e aos rituais de cura, por exemplo.

De acordo com as últimas estatísticas oficiais, cerca de 23% dos sul-coreanos declaram ter como religião o budismo e 28% o cristianismo (com grande maioria de protestantes). O restante compreende várias opções religiosas, como o confucionismo e o taoísmo, além do ateísmo e do xamanismo, que não faz parte das opções formais.

Na realidade, mais de 40% dos sul-coreanos, incluindo grande número de budistas e cristãos, costumam consultar regularmente um vidente ou xamã (os cafés de vidência fazem grande sucesso entre os jovens), conforme pesquisas feitas no ano passado.

A Comissão para a instauração do Dia do Xamã observa, porém, que o Estado só decreta dias de folga no trabalho em festas importantes de duas religiões, o budismo e o cristianismo (Natal e Nascimento de Buda), enquanto o xamanismo, que é o culto mais antigo da Coreia, não tem nenhum reconhecimento oficial.

O grupo afirma que a sua data será o dia 9 de setembro. Trata-se do periodo em que os coreanos celebram uma das suas festas mais importantes, o Chuseok (ou Hangawi), de origem claramente xamanista. Caindo no dia 15 do oitavo mês lunar, esta celebração une todas as famílias e é consagrada à generosidade da Mãe Terra (tempo de colheitas e de monções) e ao culto dos espíritos dos ancestrais.

 (Trad.ZENIT)