Cracóvia 2016: grandes esperanças

Entrevista com Bogdan Oset, membro do comitê que organizou a JMJ de Czestochowa em 1991

Czestochowa, (Zenit.org) Don Mariusz Frukacz | 790 visitas

A próxima edição da JMJ acontecerá na cidade do beato João Paulo II, conforme anunciado pelo papa Francisco antes da oração do ângelus, na missa de encerramento da JMJ do Rio de Janeiro. Depois de Czestochowa, em 1991, a Polônia receberá pela segunda vez o grande encontro mundial dos jovens católicos e a Polônia já mostra efervescência pela JMJ que virá.

Para conhecer os primeiros passos da preparação da JMJ, ZENIT entrevistou Bogdan Oset, catequista em Czestochowa e membro do comitê que organizou a VI Jornada Mundial da Juventud, em 1991.

Bogdan Oset vive em Czestochowa com a mulher, Ewa, e três filhos. Trabalha como catequista e professor de religião no colégio Cyprian Kamil Norwid.

Quais você acha que vão ser os frutos da Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia em 2016?

Bogdan Oset: Olhando para a história das Jornadas Mundiais da Juventude, e recordando em particular a JMJ de Czestochowa em 1991, eu acho que a de Cracóvia será uma oportunidade para fazer crescer a dimensão multicultural dos jovens que professam os mesmo valores e a mesma fé em Jesus Cristo. Os participantes falam línguas diversas, procedem de vários países do mundo todo, sentem e creem do mesmo modo. Durante a JMJ, nós temos a extraordinária oportunidade de compartilhar com os outros a nossa história, cultura e fé. A JMJ é o encontro entusiasmante de culturas e de fé. Exatamente como aconteceu na de Czestochowa.

Você foi membro do comitê organizador em 1991. Quais são as lembranças daqueles dias?

Bogdan Oset: Eu acho necessário destacar que, na JMJ de 1991, a Igreja na Europa podia respirar pela primeira vez, depois da guerra, com os seus dois pulmões, o ocidental e o oriental, como João Paulo II desejava. Em Czestochowa, houve um encontro fraterno de jovens do Leste e do Oeste. Para mim e para muitos dos meus coetâneos, a VI Jornada Mundial da Juventude em Czestochowa foi um importante ponto de referência.  As palavras do papa, "você tem que ser forte...", ainda ressoam nos nossos ouvidos, mesmo que o evento mais importante na minha vida tenha sido o Jubileu dos Jovens em Roma, em abril de 1984, e o encontro com João Paulo II. Um encontro que foi uma espécie de teste geral para a JMJ seguinte. O entusiasmo e a autenticidade de João Paulo II foram uma fonte de inspiração na minha vida de todos os dias, e as palavras de João Paulo II, "vocês têm que se exigentes com vocês mesmos", são o lema do meu trabalho catequético.

Quais são os objetivos para a JMJ de Cracóvia?

Bogdan Oset: A JMJ em 1991 foi uma oportunidade para derrubar as barreiras que dividiam os jovens do Leste da Europa. A JMJ em Cracóvia em 2016 deveria servir como fonte para consolidar a autenticidade da vida religiosa e a afirmação da vida espiritual, que se opõe ao relativismo moral dos tempos de hoje. Os cristãos têm muitos motivos para ter orgulho e alegria. Eu acho que a JMJ em Cracóvia vai ser a oportunidade para compartilhar a alegria cristã com todos. A Igreja apoiada por jovens alegres e testemunhas da fé pode alimentar a esperança do mundo. O futuro pertence aos jovens. Para muitos participantes, a JMJ foi um ponto crucial no desenvolvimento da sua vida, não só do ponto de vista religioso. Na JMJ de Cracóvia, nós podemos ter dois ou até três milhões de jovens de todo o mundo. Em 1991, Czestochowa se beneficiou de muitas maneiras da organização da VI JMJ. Durante alguns dias, Czestochowa foi a capital mundial para mais de um milhão e meio de jovens. Um dos resultados desse encontro foi o nascimento da rádio católica Fiat. A VI JMJ foi organizada depois da queda do regime comunista na Polônia, e o evento teve um grande significado simbólico. Cracóvia tem tempo e tem a possibilidade de melhorar, de construir as estruturas que possam ser necessárias.

De que forma a Igreja polonesa prepara a JMJ de Cracóvia?

Bogdan Oset: A maior tarefa é atrair jovens e convidá-los não só a participar, mas também a preparar a JMJ. Pela minha experiência, eu sei que os jovens querem se envolver. Na escola onde eu dou aulas, um terço dos estudantes inscritos, uns 400, se envolveram em 1991 nas atividades de voluntariado. Junto com os estudantes de outras escolas, e durante vários meses, eles se comprometeram com a preparação, para criar um grupo de guias e de intérpretes. Eles fizeram um trabalho excelente, que, no início, parecia impossível. Em 1991, o conhecimento das línguas ocidentais era muito limitado, e hoje este problema não existe mais. Eu acho, também, que as autoridades hoje são mais conscientes do que significa organizar uma JMJ e vão dar a assistência adequada aos organizadores do encontro.