Crise: difundir sentido de fraternidade e de responsabilidade

Arcebispo pede cuidado com a situação de pobreza

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BELO HORIZONTE, terça-feira, 6 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil) pede que nesta crise econômica não se busque simplesmente retomar um funcionamento mercadológico a contento dos que lucram; é preciso difundir o sentido de fraternidade e de responsabilidade.

Nesse sentido, a «pobreza vergonhosa que se abate sobre tantos irmãos e irmãs tem que ser considerada, pois, como um problema de consciência».

«Não basta ser um assunto das agendas governamentais e das discussões de outros segmentos da sociedade», afirma Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em mensagem divulgada ontem pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

«É preciso que o tratamento da situação de pobreza se torne um problema de consciência para afetar o modus vivendi das sociedades, os critérios de consumo e a concepção básica e essencial da ordem econômica que deve presidir a organização mundial das relações entre nações, grupos e povos.»

Segundo Dom Walmor, é «inadmissível, neste momento, pensar a superação da famigerada crise econômica, cantada em verso e em prosa, sem emoldurar as discussões e as propostas com esta deplorável situação de pobreza no cenário mundial».

O arcebispo questiona: «com toda a complexidade própria do que pode configurar a crise econômica, no seu bojo não está o exagero dos lucros com sua ganância própria e perversa?»

«Por este caminho as soluções serão parciais. Atingirão apenas as metas de fazer voltar a lucrar os que estão situados bem longe da pobreza. Os outros, os pobres continuarão castigados perversamente.»

O arcebispo de Belo Horizonte explica que Bento XVI, em sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009, «acentua que combater a pobreza implica uma atenta análise do fenômeno complexo da globalização».

«De modo especial, na consideração da globalização, é preciso incluir a dimensão moral e espiritual que clareia a posição de todos os seres humanos como participantes de um único projeto divino.»

Isto é –prossegue Dom Walmor–, «a construção de uma única família, na qual todos, indivíduos, povos e nações, regulem o seu comportamento segundo os princípios de fraternidade e responsabilidade».

«Ora, o Santo Padre adverte que não se pode, pois, prescindir do sentido de fraternidade e de responsabilidade. Não basta, portanto, retomar um funcionamento mercadológico a contento dos que lucram. É preciso configurar e ter uma visão articulada da pobreza.»

A construção da paz inclui «a consideração da situação material da pobreza e também a consideração das pobrezas imateriais».

«Existem as pobrezas que são consequências das carências materiais. Também, existem pobrezas que são consequência dos fenômenos da marginalização, da pobreza relacional, moral e espiritual.»

«Há muita gente pobre porque é interiormente desorientada. Apesar do bem estar econômico, lembra o Papa Bento XVI na sua Mensagem, vivem diversas formas de transtorno. Construir a paz supõe um corajoso engajamento no combate às pobrezas», enfatiza o arcebispo.