Crise revela ausência dos cristãos

«O Evangelho não permite deleguismos e ignorâncias culpáveis», diz arcebispo

| 807 visitas

BRAGA, segunda-feira, 24 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Braga considera que a atual situação mundial, «que Portugal também experimenta, pode significar um deficit de atenção ao espiritual e, simultaneamente, uma ausência dos cristãos nesta corresponsabilidade de transformar as realidades terrestres».

Segundo Dom Jorge Ortiga, o cristão, «encontrando-se com Cristo, deve assumir o Seu projeto libertador e fazer com que ele permeie as realidades humanas».

Na homilia que pronunciou esse domingo na missa da solenidade de Cristo Rei, na Sé de Braga, o arcebispo, que é presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, pediu que os cristãos tomem consciência «da importância do agir laical».

«Duma maneira associada, devemos “romper” com o tradicional compromisso a nível interno das comunidades, para situar-nos a sua ação e vocação no mundo do humano como espaço onde os leigos vivem, dum modo preferencial.»

«Compete, por isso, ao agir associado, vivificar os diversos ambientes com o contributo imprescindível da mensagem cristã», afirmou.

Segundo Dom Jorga Ortiga, «como nunca a Igreja necessitou de leigos empenhados e responsáveis pelas diversas dimensões do seu serviço pastoral».

«Só que não nos podemos refugiar nestes âmbitos e esquecer que existimos para ser fermento e sal duma sociedade que queremos nova.»

Hoje --prossegue o arcebispo--, «ultrapassado que foi o período de cristandade onde o espírito cristão impregnava tudo, não só não podemos ter medo do encontro com as realidades terrestres mas teremos de assumir que elas necessitam do essencial evangélico».

«Neste processo há uma mentalidade nova que se cria e não aceitamos o absentismo reinante de deixar correr como os outros pretendem. A mensagem que nos orienta é diferente e incomoda, mas não nos dispensa, por inércia ou medo, de intervir.»

De acordo com o presidente da CEP, vivificar a ordem temporal «passa por um esforço em conhecer os seus meandros e para uma intervenção corajosa e devidamente orientada».

«Existem realidades que não podemos ignorar para disfarçar. Daí que entrar nos caminhos da sociedade hodierna se torne imperioso para a Igreja, através dos leigos que vivem uma responsabilidade própria.»

«Se muitas vezes nos alheamos, não querendo conhecer e vivendo distraídos, muitas outras nos resignamos a que os outros resolvam por nós. O Evangelho não permite deleguismos e ignorâncias culpáveis», afirma o arcebispo.