Cristãos e budistas: amar, defender e promover a vida humana

Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso envia mensagem por ocasião da festa festa de Vesakh

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 595 visitas

O Vesakh é a festa mais importante para os Budistas: em que comemoram os principais acontecimentos da vida de Buda. A festa de Vesakh / Hanamatsuri de 2013, nos diversos países da cultura budista, é comemorado em datas diferentes, de acordo com as diferentes tradições. Este ano, a festa acontece: dia 17 de maio na Coréia do Sul, China, Hong Kong, Macau; 24 de maio, no Sri Lanka, Tailândia, Malásia, Cingapura, Birmânia, Camboja, Laos; 25 de maio, na Índia, Nepal e Indonésia . Nesta ocasião, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso enviou a seguinte mensagem aos Budistas:

Caros amigos Budistas

1. Em nome do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, gostaria de estender as minhas cordiais saudações e votos de felicidades a vós, por ocasião da celebração da festa de Vesakh que oferece aos cristãos uma ocasião para renovar o diálogo amigável e estreitar a colaboração com as diferentes tradições por vós representadas.

2. Papa Francisco, no início do seu ministério, reafirmou a necessidade de um diálogo amigável entre os seguidores de diferentes religiões. Ele observou que "A Igreja é [...] consciente da responsabilidade que todos nós temos para com o nosso mundo, com toda a criação, à qual devemos amar e proteger. Há muito o que fazer para beneficiar os pobres, os necessitados e aqueles que sofrem, e para favorecer a justiça, promover a reconciliação e construir a paz "(Audiência com Representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais e das diversas religiões, 20 de março de 2013). A Mensagem do Dia Mundial da Paz em 2013, intitulado "Bem-aventurados os pacificadores", observa que "o caminho para a realização do bem comum e da paz é, acima de tudo, respeito à vida humana em todos os seus muitos aspectos, começando com sua concepção, através de seu desenvolvimento até o seu fim natural. Verdadeiros pacificadores, então, são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões, pessoal, comunitária e transcendente. Vida em plenitude é o cume da paz. Quem ama a paz não pode tolerar ataques e crimes contra a vida "(Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2013, n. 4).

3. Gostaria de expressar que a Igreja Católica nutre sincero respeito pela vossa nobre tradição religiosa. Frequentemente observa-se uma consonância com valores expressos também em vossos livros religiosos: respeito pela vida, contemplação, silêncio, simplicidade (cf. Verbum Domini, n º 119.). Nosso genuíno diálogo fraterno deve promover o que nós Budistas e Cristãos temos em comum, de modo especial partilhamos uma profunda reverência pela vida.

4. Caros amigos Budistas, o vosso primeiro preceito ensina a abster-se da destruição da vida de qualquer ser senciente e, assim, proíbe matar a si mesmo e aos outros. A pedra angular de vossa ética encontra-se na benignidade para com todos os seres. Nós, cristãos, acreditamos que o núcleo da doutrina moral de Jesus é dupla, o amor a Deus e o amor ao próximo. Jesus diz: "Como o Pai me amou, também Eu vos amei: permanecei no meu amor." E ainda: "Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei". (Catecismo da Igreja Católica, n 1823). O quinto Mandamento Cristão "não matarás" se harmoniza muito bem com o vosso primeiro preceito. Nostra Aetate ensina que "a Igreja Católica nada rejeita do que é verdadeiro e santo nestas religiões" (NA 2). Acho, portanto, que é urgente, tanto para os Budistas como para os Cristãos, com base no genuíno patrimônio das nossas tradições religiosas, criar um clima de paz para amar, defender e promover a vida humana.

5. Como todos sabemos, apesar destes nobres ensinamentos sobre a santidade da vida humana, o mal em diferentes formas contribui para a desumanização da pessoa, reduzindo o sentido de humanidade nos indivíduos e nas comunidades. Esta trágica situação convida-nos a que Budistas e Cristãos unamos as mãos para desmascarar as ameaças à vida humana e despertar a consciência ética dos nossos respectivos seguidores para despertar um renascimento espiritual e moral de indivíduos e sociedades, a fim de sermos verdadeiros obreiros da paz que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões.”

6. Caros amigos Budistas, vamos continuemos a colaborar com renovada compaixão e fraternidade para aliviar o sofrimento da família humana, promovendo a sacralidade da vida humana. Neste espírito gostaria, mais uma vez, de desejar-vos uma pacífica e alegre festa de Vesakh.

Cardeal Jean-Louis Tauran -Presidente

Rev. Miguel Ángel Ayuso Guixot, MCCJ -Secretário