Cristãos e budistas: por uma relação correta entre seres humanos e natureza

Mensagem vaticana para a festa budista de Vesakh

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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de maio de 2010 (ZENIT.org). A promoção de uma "relação correta entre os seres humanos e o meio ambiente" é a proposta que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso faz aos seguidores de Buda na mensagem que lhes enviou na ocasião da festa de Vesakh.

Nesta festa, a mais importante para os budistas, são comemorados os principais eventos da vida de Buda.

Este ano, ela acontecerá em 21 de maio na Coreia e em Taiwan e em 28 de maio na Tailândia, Sri Lanka, Camboja, Birmânia, Malásia, Laos, Nepal e Vietnã. No Japão foi comemorada no último dia 8 de março.

O dicastério vaticano deseja que a mensagem, sobre o tema "os budistas honram a vida humana com base no respeito por todos os seres humanos", "possa contribuir para reforçar os vínculos de amizade e colaboração já existentes entre nós a serviço da humanidade".

Ao mesmo tempo em que dirige aos budistas suas "congratulações e cordiais votos de paz e de alegria", aproveita a ocasião da festa de Vesakh para "refletirmos juntos sobre um tema de particular importância hoje, isto é, a crise ambiental que já suscitou notáveis problemas e sofrimentos no mundo inteiro".

"Os esforços das nossas duas comunidades em vista do empenho no diálogo inter-religioso contribuíram para criar uma nova consciência da importância social e espiritual das nossas respectivas tradições religiosas neste campo", explica o texto.

"Reconhecemos que temos o mesmo modo de considerar valores como o respeito pela natureza de todas as coisas, a contemplação, a humildade, a simplicidade, a compaixão e a generosidade."

Estes valores, complementa a mensagem, "contribuem para uma vida de não-violência, equilíbrio e sobriedade".

Para a Igreja Católica, prossegue o texto, assinado pelo cardeal Jean-Louis Tauran e Dom Pierluigi Celata, presidente e secretário deste dicastério, respectivamente, "a tutela do ambiente está intimamente ligada ao tema do desenvolvimento integral da pessoa humana e, da parte sua, não se compromete apenas na defesa do destino universal dos dons da terra, da água e da atmosfera, mas encoraja o homem a unir os esforços para proteger a humanidade da autodestruição".

"A nossa responsabilidade na proteção da natureza deriva, de fato, do nosso respeito recíproco e tem origem na lei escrita nos corações de cada homem e mulher. A consequência é que, quando na sociedade se respeita a ecologia humana, o ambiente também é beneficiado."

Cristãos e budistas, sublinha a mensagem, "nutrem um profundo respeito pela vida humana".

Por isso, é necessário "encorajar os esforços que almejam criar um sentido de responsabilidade ecológica e reafirmar, ao mesmo tempo, as nossas mesmas convicções sobre a inviolabilidade da vida humana em cada fase e condição, a dignidade da pessoa e a missão única da família, na qual se aprende a amar o próximo e a respeitar a natureza".

"Promovamos juntos uma correta relação entre os seres humanos e o ambiente", exorta o texto.

"Aumentando os nossos esforços para a criação de uma consciência ecológica a fim de termos uma coexistência serena e pacífica, podemos testemunhar um estilo de vida respeitoso, que não encontra o seu sentido em ter mais, mas em ser mais."

"Partilhando as perspectivas e os compromissos das nossas respectivas tradições religiosas, podemos contribuir para o bem-estar do nosso mundo", conclui.

A mensagem completa pode ser lida em ZENIT.