Cristãos na Nigéria: massacre anunciado

Situação de emergência afeta todo o continente africano

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ROMA, terça-feira, 10 de julho de 2012 (ZENIT.org) - O sociólogo Massimo Introvigne, coordenador do Observatório da Liberdade Religiosa, criado no mês passado pelo ministério italiano de Assuntos Exteriores, chama de "massacre anunciado" o que aconteceu no último fim de semana no estado nigeriano de Plateau, quando ataques contra nove aldeias cristãs deixaram pelo menos noventa mortos.

"Desde o início do ano, acontece todos os domingos na Nigéria um ritual macabro e obsceno, em que os cristãos que vão para a igreja são massacrados pelo grupo ultra-fundamentalista islâmico Boko Haram e pelos seus cúmplices. As mortes em 2012 já são mais de seiscentas. Nos últimos doze anos, foram mais de dez mil pessoas assassinadas".

“O tempo das palavras bonitas expirou”, insiste Introvigne. “Mais grave do que isto: se nós continuarmos não reagindo, corremos o risco de nos acostumar ao horror e a ver esse tipo de notícia deslizando pelas páginas internas dos jornais”.

O que fazer então? “Antes de tudo”, diz o coordenador do Observatório, “ajudar as forças de segurança nigerianas, que não conseguem resolver esta situação sozinhas. A missão italiana que foi à Nigéria na semana passada, guiada por Margherita Boniver, que é a enviada especial para emergências humanitárias do Ministério de Assuntos Exteriores, apontou um caminho com a proposta de cooperação bilateral em matéria de segurança, que o nosso Observatório assumirá a responsabilidade de divulgar. Mas a Itália sozinha não é suficiente. A Europa tem que se mexer”.

Introvigne prossegue: “Temos que enxergar também que a emergência não é nigeriana, mas continental. A União Africana e as outras organizações internacionais têm que admitir que o massacre de cristãos na África é uma das grandes crises humanitárias do século, e trabalhar em uma estratégia regional que isole e atinja as centrais ideológicas e militares do terrorismo anti-cristão”.

“Temos também o caso das regiões do norte do Mali, controladas de fato pela Al-Qaeda, e de uma boa metade da Somália, onde o Estado nem existe. Mali e Somália não são problemas locais, porque é dessas verdadeiras zonas francas que saem as armas e o ódio que agridem os cristãos de todo o continente”.

(Trad.ZENIT)