"Cristãos reconciliados podem tornar-se testemunhas da paz e da comunhão"

Saudação do irmão Alois, prior de Taizé, ao Papa Bento XVI

Roma, (Zenit.org) | 1058 visitas

A Comunidade de Taizé que realiza o Encontro Europeu de Roma entre os dias 28 de dezembro e 2 de Janeiro na capital italiana, reuniu no sábado, 29 de dezembro, 45 mil jovens, ortodoxos, católicos e protestantes na praça de São Pedro para uma oração comunitária com o papa Bento XVI.

Apresentamos a seguir a Saudação do irmão Alois, prior de Taizé, ao Papa Bento XVI, divulgada pelo site oficial da Comunidade.

Santo Padre,

Hoje cumpre-se uma etapa importante da nossa «peregrinação de confiança através da terra». Viemos de toda a Europa, e também de outros continentes, pertencendo a diferentes confissões religiosas. O que nos une é mais forte do que o que nos separa: um único baptismo e a mesma Palavra de Deus unem-nos. Viemos esta noite celebrar à volta do Santo Padre esta unidade, real, mesmo se ela não está ainda completamente concretizada. É ao olharmos juntos para Cristo que ela se aprofunda.

O irmão Roger deixou em herança à nossa comunidade a sua preocupação por transmitir o Evangelho, em particular aos jovens. Ele estava muito consciente de que as separações entre cristãos são um obstáculo à fé. Abriu caminhos de reconciliação que ainda não acabámos de explorar. Inspirados pelo seu testemunho, são muito numerosos os que gostariam de antecipar a reconciliação através das suas vidas; que gostariam de viver já reconciliados.

Cristãos reconciliados podem tornar-se testemunhas da paz e da comunhão, portadores de uma nova solidariedade entre os seres humanos.

A procura de uma relação pessoal com Deus é o fundamento do nosso caminho. Este ecumenismo da oração não encoraja uma tolerância fácil; favorece uma escuta mútua exigente e um diálogo verdadeiro.

Ao rezarmos aqui esta noite, não podemos esquecer que a última carta escrita pelo irmão Roger, mesmo antes da sua morte violenta, foi dirigida ao Santo Padre, para dizer que a nossa comunidade gostava de caminhar em comunhão convosco. Também não podemos esquecer como, depois desta morte trágica, o vosso apoio foi precioso para nos encorajar a continuarem frente. Então, gostaria de vos voltar a garantir a afeição profunda dos nossos corações pela vossa pessoa e pelo vosso ministério.

Para terminar, gostaria de trazer o testemunho de esperança de um grande número de jovens africanos com os quais estivemos reunidos há um mês em Kigali, no Ruanda. Vinham de 35 países, entre os quais o Congo, concretamente a região do Kivu do Norte, para viver uma peregrinação de reconciliação e de paz. A grande vitalidade destes jovens cristãos é uma promessa para o futuro da Igreja.

Estes jovens africanos quiseram que trouxéssemos connosco um sinal da sua esperança: grãos de sorgo, para que cresçam na Europa. Permiti-me, Santo Padre, que vos dê, da parte deles, um pequeno cesto tradicional ruandês, chamado «agaseke», juntamente com algumas destas sementes de esperança vindas de África. Poderão elas ser semeadas e florir nos jardins do Vaticano?