Croácia: enfrentamento sobre homofobia

Uma associação defende o governo das pressões de duas ONGs

| 1001 visitas

ZAGREB, segunda-feira, 17 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – O Conselho da Associação para a Liberdade Religiosa (ARF) da Croácia denunciou, em uma declaração divulgada no dia 9 de outubro, a última inciativa contra a liberdade de expressão lançada por duas organizações pró-direitos dos homossexuais.

Em uma mensagem dirigida a “todos os meios de comunicação” e divulgada no último dia 29 de setembro, as ONGs Kontra e Iskorak atacavam as supostas posições homofóbicas contidas nos livros de texto usados no curso de religião católica nas escolas da Croácia.

Definiam como “discriminatórias e ilegais” as opiniões negativas sobre a homossexualidade, expressadas nos livros de texto em questão. Kontra e Iskorak pediram ao governo de Zagreb que os proibisse.

Na mensagem, assinada pelos coordenadores das duas ONGs, Sanja Juras e Edo Bulic, qualificava-se como “escandalosa” a resposta do Ministério de Ciência, Educação e Esporte ao defensor cívico, que havia interpelado as autoridades competentes com relação aos livros de texto considerados homofóbicos, entre eles “Com Cristo pela rua”.

Para Kontra e Iskorak, o ensinamento da Igreja, que considera que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados”, porque “fecham o ato sexual ao dom da vida” (CIC, n° 2357), sugere que a homossexualidade é uma anomalia ou inclusive uma doença, o que é contrário a toda uma série de normativas nacionais e internacionais contra a discriminação.

Segundo a declaração da ARF, assinada por 11 representantes de várias confissões e religiões, Kontra e Iskorak pretendem, com suas ações legais e iniciativas contra escolas e professores que usam os livros de texto, a abolição da liberdade de expressão na Croácia, não somente para os crentes e as comunidades religiosas, mas para todos os cidadãos.

“A liberdade de palavra inclui a livre expressão de opiniões e de posições, sejam estas exatas ou não”, lê-se na declaração.

“Discriminação significa negar certos direitos a uma pessoa ou grupo de pessoas sem motivações apropriadas”, continua o texto.

Como recordam os que assinaram, os livros de texto para a educação religiosa – não somente os da Igreja Católica, mas também de outras denominações e comunidades religiosas – não rejeitam só os comportamentos homossexuais.

Declaram-se também como inaceitáveis “muitos outros tipos de comportamentos, como o divórcio, a promiscuidade, a anticoncepção (…), a infidelidade conjugal, a mentira, a falta de assistência aos idosos e aos doentes”.

Em seu apelo, a ARF pede às associações pró-direitos dos homossexuais, às pessoas homossexuais, aos grupos pró-direitos humanos, ao Estado, aos organismos governamentais e a todos os cidadãos da Croácia que se distanciem da iniciativa de Kontra e Iskorak e que “protejam o direito à liberdade de palavra de todos os crentes, comunidades religiosas e os demais cidadãos croatas”.

Às duas ONGs, os firmantes pedem que “revisem suas posições”.