Cruz é sinal de salvação, diz cardeal

Dom Geraldo Majella Agnelo comenta sobre a paixão e morte de Jesus

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Por Alexandre Ribeiro

SALVADOR, sexta-feira, 21 de março de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo primaz do Brasil afirma que na Sexta-Feira Santa, quando a liturgia apresenta a cruz em recordação da Paixão e Morte de Jesus, não se pode esquecer que ela é sinal de salvação, pelo amor com que Deus nos amou.

O cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador (Bahia), em mensagem enviada a Zenit, explica os sofrimentos do servo de Deus, assim chamado pelo profeta Isaías, «tornam-se causa de salvação para todo o povo e lhe merecem pessoal glorificação».

Dom Geraldo Agnelo cita a carta aos Hebreus (4, 14 ss), para enfatizar que, «por sua obediência até a morte na cruz, Cristo é causa de salvação para todos os homens, o único mediador junto de Deus».

Segundo o arcebispo de Salvador, o evangelista João, no relato sobre a Paixão, atenua a descrição do sofrimento para pôr em maior relevo sua divindade.

«Existe toda uma série de paradoxos que desvela a realidade do pecado do povo de Deus: Cristo ou César? Qual é o rei dos judeus? Enquanto os judeus, renegando-se a si mesmos, afirmam não ter outro rei a não ser César, os funcionários de César zombando de Jesus Cristo, realizam a profecia de Isaias 45, 23 ao aclamá-lo rei dos judeus.»

Com Jesus elevado na cruz, cumpria-se a Escritura, «e tudo cumpriu-se na morte de Jesus, porque ele é a vítima de expiação».

Dom Geraldo explica que a isso alude o versículo 31 do capítulo 18 de João: o dia da preparação da páscoa judaica é aquele em que, na tarde, eram imolados os cordeiros pascais.

«Do lado de Cristo aberto pela lança do soldado, saem sangue e água, símbolos do batismo e da eucaristia, e o seu Espírito. Como no relato bíblico da criação, Deus tirou a mulher do lado do homem, fazendo-a sua esposa, assim do lado de Cristo nasce a Igreja caracterizada pelos sacramentos, a água no batismo, e o sangue na eucaristia.»

Ao recordar que os cristãos têm o costume de manifestar o símbolo da cruz, usando-a em algum lugar da casa, nos cemitérios e muitas vezes junto de si, o cardeal Agnelo destaca que «tudo isso quer significar que a cruz é sinal de salvação».

Salvação «pelo amor com que Deus nos amou, enviando-nos seu Filho, o qual ofereceu sua vida na cruz, para salvar a todos que colocam a própria fé em sua morte e ressurreição», afirma.