Da sua vida para a nossa vida

Diretor da Renovação Carismática explica por que os cristãos celebram a Páscoa

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Salvatore Martinez

ROMA, segunda-feira, 2 de abril de 2012 (ZENIT.org) – A Páscoa é tanto a morte como a ressurreição de Jesus. Cristo destruiu a morte, triunfou sobre o inimigo, pisoteou o inferno, acorrentou os poderosos e levantou o homem. O céu finalmente se abriu e foi dado aos homens.

Jesus é o nosso resgate, a recompensa prometida mais "alta" que existe: o reino dos céus.

Agora, para comemorar a Páscoa com autenticidade de fé e de compromisso, devemos reconhecer a obra de Jesus: "Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado" (1 Cor 5, 7b).

São Paulo exortava a comunidade coríntia a "celebrar a festa com sinceridade e verdade" (cf. 1 Cor 5, 8). Não há maneira de honrar a Cristo, ao seu corpo e sangue oferecidos pela nossa salvação, se não deixando que a verdade do Evangelho de Jesus entre em nossa vida: só assim morremos para nós mesmos e ressuscitamos nele.

Eis a Páscoa, a passagem do Senhor pela nossa vida, que somos convidados a celebrar. A Páscoa que começa com a ressurreição de Jesus deve continuar nas nossas vidas. Sua passagem não é apenas "da morte para a vida", mas "da sua vida para a nossa vida": é assim que a Páscoa cruza os limites da história e acontece para cada homem.

Jesus quer renovar a sua Páscoa em nós: estar incessantemente em todos os pensamentos, em todas as palavras e em todas as obras da nossa vida. Por isso é que somos convidados a viver a Páscoa com "sinceridade": estamos nos aprestando a deixá-lo entrar em nossa vida terrena para nos conduzir até a vida celestial? Em nossas orações expressamos o desejo sincero de viver intimamente unidos a Ele?

São Paulo diz: "Se fostes ressuscitados com Cristo [...] estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Col 3, 1a.3). E ainda: "Com ele também fomos ressuscitados e assentados no céu, em Cristo Jesus" (Ef 2, 6).

Esta notícia acrescenta que tipo de entusiasmo aos dias cansados ​​das nossas vidas? Com que convicção faremos da nossa vida um contínuo "tempo pascal"?

Há um escrito de Santo Agostinho que nos vem ao socorro: "Não só não devemos sentir vergonha pela morte de Deus, nosso Senhor, como temos ainda que tirar dela a máxima confiança e orgulho. Ao receber de nós a morte que encontrou em nós, ele fielmente prometeu nos dar a vida nele, a vida que não poderíamos ter por nós mesmos. Como não haveria de nos a justiça, ele que nos justifica e nos desculpa? Como não daria aos justos a sua recompensa, ele que é fiel às suas promessas?" (Sermão 218/C, sobre a Paixão do Senhor).

Páscoa: "graça" aos homens","glória" a Deus

Se Cristo ressuscitou, de que devemos ter medo? O que não deve esperar da graça divina o coração de quem acredita?

Como são grandes as promessas do Senhor! E como somos frágeis nós e as crenças com que alimentamos todo dia a nossa fé!

Jesus ofereceu a sua morte por nós: como e por que duvidar de que aos crentes ele também dará a sua vida?

A maior fraqueza humana sempre foi a desistência de acreditar que virá um dia em que os homens viverão com Deus e de Deus. Muitos perguntam: será mesmo possível, e, acima de tudo, estarei entre eles? Mas Jesus, em seu discurso de despedida, aponta justamente esta "novidade", entregando-a para todos os discípulos na forma de oração ao Pai: "Pai, eu quero que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estou, para verem minha glória, a glória que me deste" (Jo 17, 24a).

A glória de Deus não tem limites

Ela não se mostra de acordo com os nossos méritos, mas para tornar acesa permanentemente no mundo a luz pascal e o poder da luz sobre as trevas do mal. Não em abstrato, mas na nossa vida, para nos tornar esplendor da Páscoa, parte da glória de Cristo a ser participada a cada homem.

Um dos primeiros padres da igreja, Irineu de Lion, bem nos explica: "Seguir o Salvador é participar da salvação. Seguir a luz é desfrutar da luz. Quem de nós está na luz não a ilumina, mas é por ela iluminado; nada por si mesmo dá ele à luz, mas só recebe dela o benefício de ser iluminado. Assim o homem: nada dá ele a Deus, porque Deus não precisa de obséquio humano, mas quem segue a Deus e o serve recebe a vida de Deus, imortalidade e glória eterna" (Contra as Heresias).

A Páscoa se perpetua assim em todos os tempos: assim a glória de Deus preenche o universo. Quem oferece este milagre? O Espírito Santo! São Pedro nos lembra: "Sobre vós repousa o Espírito da glória" (cf. 1 Pd, 4, 14).

É o Espírito que nos faz levantar o olhar para antecipar nas orações o canto da glória de Deus, a glória do céu que há de vir. É o espírito que nos inspira um modo de vida "glorioso", completo, ordenado, feliz, próprio de quem deixou Cristo descansar na sua vida. Se ele repousa em nós, nossa vida está segura! Se ele repousa em nós, não caímos em sono, pois vivemos nele e dele: tudo volta à vida, tudo produz vida, tudo leva à vida!

Assim a Páscoa refloresce; assim Deus não morre.