De monge budista a sacerdote católico: Pe. Ranatunga conta sua conversão

É o primeiro sacerdote camiliano do Sri Lanka

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ROMA/COLOMBO, quarta-feira, 2 de maio de 2007 (ZENIT.org).- Atraído pela «beleza do perdão, pela alegria de servir os outros» e pela salvação de Jesus Ressuscitado, Nihal Ranatunga empreendeu o caminho ao cristianismo. Ordenado sacerdote há poucos anos, é o primeiro religioso da Ordem de São Camilo originário do Sri Lanka.



O Pontifício Instituto de Missões Exteriores (PIME), através de sua agência «AsiaNews.it», difundiu o testemunho da conversão deste religioso camiliano, que inicialmente estudava para ser monge budista.

«O sofrimento não me faltou nunca, mas em certo momento, sem que eu saiba ainda como nem por que, encontrei a alegria e a riqueza da fé e do sacerdócio», admite o Pe. Ranatunga, de 45 anos.

Nasceu perto da capital do Sri Lanka - Colombo --, em Rágama. Sua origem é cingalesa. Nihal era seu nome antes do batismo. Quinto de seis irmãos, cresceu em uma família budista e muito pobre; seu pai faleceu cedo.

Desde a adolescência, Nihal sentiu o desejo de tornar-se monge no âmbito de seu credo. «Após a morte de meu pai -- recorda -- minha família já não podia sustentar todos nós e me levaram ao povoado de Ekala, a uma família católica que me acolheu para serviços domésticos».

«Em Ekala comecei a buscar o Senhor; ia escondido à paróquia local, dedicada a São Maximiliano [Kolbe]; simplesmente tinha curiosidade, sentia-me bem quando estava entre aqueles muros; e depois de algum tempo me encontrei, com estupor, rezando a Nossa Senhora», admite.

O sacerdote reconhece que fala de «estupor» porque, quando ainda estudava para ser monge budista, experimentava «total aversão ao cristianismo».

Pouco a pouco, Nihal começou a fazer amigos, a ir à missa; mas tinha muitas dúvidas: «não entendia quem era esse Deus dos cristãos, mas segui indo à Igreja sem me fazer muitas perguntas».

«Não sei dizer com exatidão o que me levou ao cristianismo desde o budismo -- prossegue; de alguma maneira me sinto escolhido: instintivamente comecei a orar, e a fé, como o amor, nasce também sem explicação.»

«Do cristianismo me atraía a beleza do perdão, a alegria de servir os outros. No budismo a pessoa busca só a própria salvação e não tem garantias de obtê-la, enquanto que para nós, os cristãos, a salvação é Jesus ressuscitado -- aponta. Nos momentos de dor isso te ajuda a ter força.»

Depois de cinco anos voltou a seu lar, a Rágama; após seis meses de catequese, pediu o batismo. Desde esse momento o caminho ao sacerdócio se tornou mais difícil. A vocação foi imediata, mas problemas de saúde e encontros equivocados foram obstáculo no caminho do jovem cingalês.

Perseverando em seu chamado, chegou à Itália em 1992. Em São Giovanni Rotondo conheceu as religiosas e sacerdotes da Ordem de São Camilo, «atraído pela cruz vermelha que carregam, pelo símbolo da completa dedicação à assistência dos enfermos».

Dois anos depois, ingressou no seminário; a seguir, perdeu um olho em um acidente. «Assim mesmo, segui estudando oito anos, até que fui ordenado sacerdote em julho de 2004, uma satisfação enorme», sublinha o Pe. Maximiliano, nome que Nihal havia tomado em seu batismo, dado que sua conversão se havia iniciado em uma paróquia dedicada ao santo mártir de Auschwitz.

Sua lembrança mais bela é a celebração da primeira missa no Sri Lanka, na paróquia de São Judas Tadeu. Foi toda sua família, inclusive seu irmão maior, que havia sido o mais contrário à sua conversão. Igualmente esteve presente no rito o monge do templo local, em um clima de festa e de harmonia.

Atualmente, o Pe. Maximiliano N. Ranatunga é um dos seis capelães do hospital de São Camilo em Roma (Itália) e atende pastoralmente também a comunidade de compatriotas presentes na Cidade Eterna. Seu sonho: «que os camilianos abram sua primeira casa no Sri Lanka».

A população da ilha do subcontinente indiano é de quase 20 milhões de habitantes: 70% é budista, 15% hinduísta, 8% cristão e 7% muçulmano. Está formada por cingaleses -- de maioria budista -- e pela minoria tâmil -- hinduísta.

Originário de Bucchianico (Chieti, Itália), São Camilo de Lelis (1550-1614) é patrono de enfermos e hospitais. Chegou a servir os enfermos com o mesmo afeto com o qual uma mãe serve seu único filho enfermo.

A Ordem que fundou -- os religiosos camilianos -- atualmente está presente em 35 países dos cinco continentes; seu trabalho é especialmente significativo no Terceiro Mundo.

Os religiosos camilianos são mais de 1.100 em 156 comunidades; administram 180 obras assistenciais e formativas: hospitais, residências, clínicas, centros de reabilitação psicofísica, casas de acolhida, universidades e centros de formação profissional, de humanização e de escuta.