Defesa da família, prioridade da Igreja na Nicarágua, segundo bispos

Os prelados nicaragüenses se encontram em Roma para a visita «Ad limina»

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CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 2 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- A defesa da vida e da família e a ajuda aos pobres são nestes momentos as tarefas mais importantes que a Igreja na Nicarágua leva adiante. Assim afirmou à Rádio Vaticano o arcebispo de Manágua e presidente da Conferência Episcopal, Dom José Brenes Solórzano, presente em Roma esta semana para a visita «ad limina apostolorum» junto com os demais bispos do país.

«Nós sabemos que há uma sombra que ameaça a Igreja: são as batalhas para a aprovação do aborto. Estamos tentando reforçar a pastoral familiar através de nossas Comissões pastorais. Também insistimos na catequese aos jovens que amanhã formarão uma família», explicou o prelado.

De fato, no mês de dezembro passado, os bispos nicaragüenses, em união com os da Guatemala, El Salvador, Honduras, Costa Rica, Panamá e Venezuela, assinaram uma carta pastoral conjunta na qual denunciavam a existência de um «plano para legalizar o aborto em toda a América Central».

Para os bispos da Nicarágua, a pastoral familiar «é uma prioridade, junto com a pastoral juvenil e a educativa. Estas três áreas de ação, junto com a pastoral vocacional, estão sendo reforçadas nas nossas iniciativas em defesa da família», insistiu Dom Brenes.

Outra das urgências é a da evangelização, em sintonia com as conclusões do recente congresso americano missionário, e a atenção à pobreza.

Na entrevista concedida à Rádio Vaticano, o arcebispo de Manágua explicou que as diretrizes dadas por João Paulo II em Aparecida sobre a necessidade da nova evangelização foram fundamentais para o novo impulso missionário do continente.

«A Igreja é missionária por natureza, e acho que depois de Aparecida temos este grande desafio: consolidar nossa identidade», acrescentou.

A visita dos bispos a Roma acontece num momento delicado para o país, às vésperas das eleições gerais, e em meio a uma crise econômica e política.

Precisamente em 21 de junho passado, a Conferência Episcopal nicaragüense publicou um documento no qual lançava um forte apelo aos católicos a participarem da vida do país.

«É um momento de luzes e sombras», afirmavam os bispos: junto às conquistas sociais conseguidas nos últimos anos, existe «a preocupação frente à pobreza extrema, que ainda afeta muitos nicaragüenses», o que contribui para «agravar fenômenos como a violência urbana, as migrações forçadas e o narcotráfico», afirmavam.

Por outro lado, os bispos manifestavam sua preocupação pelo clima político no país, «que freqüentemente se traduz em insultos, ataques pessoais, violência verbal», e lamentavam a ausência «de líderes católicos coerentes com as próprias convicções religiosas e éticas».

A Nicarágua, o maior país da América Central, é também um dos mais pobres, com uma renda per capta baixa e uma taxa de desemprego muito elevada, ainda que economicamente o país tenha melhorado nos últimos anos. O governo de coalizão surgido das últimas eleições é presidido pelo sandinista Daniel Ortega.