Depois de 150 anos, João Bosco vive nos autênticos educadores

Entrevista com a nova Madre Geral das Salesianas

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Por María de la Torre

ROMA, quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Ao começar as celebrações dos 150 anos de fundação a Congregação Salesiana, a nova superiora geral do ramo feminino, Madre Yvonne Reungoat, ofereceu uma entrevista à Zenit, na qual confessa que aceitar esta responsabilidade foi como receber do Senhor o presente de uma nova maternidade. 

Depois de 136 anos de superioras gerais italianas, a comunidade das Filhas de Maria Auxiliadora conta desde outubro em sua guia com uma religiosa francesa, de 63 anos de idade, licenciada em História e Geografia, a quem sobram forças e vontade para continuar o caminho de São João Bosco, no qual «a educação é a base da construção da sociedade do futuro». 

– O que você sente ao ter sido eleita como Madre Superiora das Salesianas?

– Madre Yvonne Reungoat: Quando fui eleita, foi uma surpresa. Não esperava esta eleição. Agora, sabe-se que quando se dá a vida pelo Senhor, Ele pode pedir o que quiser, e isso frequentemente não corresponde ao que nós queremos; em um instituto religioso Ele pode pedir qualquer missão. 

Foi um momento de surpresa, um pouco também de desconcerto, mas sempre de muita confiança. Até agora, minha vida tentou ser um presente para Ele. O mais importante é que minha vida pertence ao Senhor. Ele me guiou com frequência para senti-lo, inesperadamente, e neste momento saiu ao meu encontro e eu não podia dizer que não ao que o Senhor me pedia. Quando a pessoa se sente pequena diante de uma missão que lhe é confiada, sente-se pobre e nesse momento vem com mais força a necessidade de confiança e de ajuda. Foi um momento de grande confiança n’Ele e em Maria, Maria Auxiliadora, porque dom Bosco e nossa fundadora, a Madre Maria Mazzarello, diziam sempre que Maria Auxiliadora era a antiga fundadora do instituto. Então eu me senti como tomada pela mão por Ela, e sentia que me dizia: «você é a vigária, a verdadeira superiora», e isso me deu muita confiança. Eu a sinto presente em minha vida e conto com Ela. Tive a experiência de sentir que o Senhor, ao mesmo tempo, me pedia e me fazia o presente de uma nova maternidade: a de levar no coração todas as filhas de Maria Auxiliadora do mundo, que são muitas. E com elas, a tantos jovens, tantos leigos que compartilham a missão conosco, no mundo inteiro. Isso é uma experiência belíssima. 

– Você havia imaginado isso alguma vez?

– Madre Yvonne Reungoat: Não, nunca havia imaginado. Não podia imaginar porque não teria me sentido capaz de viver uma missão como esta, apesar de saber que poderia ocorrer... Nossa constituição diz que pode ser eleita madre geral qualquer filha de Maria Auxiliadora após certo número de anos de profissão, mas sinceramente eu não o havia pensado realmente. 

–O que mudou em sua vida desde esse momento?

– Madre Yvonne Reungoat: Do ponto de vista pessoal, por enquanto não mudou muito, mas sim mudou o senso de responsabilidade. Agora já não posso pensar em mim, mas cada instante de minha vida se converte em um presente para os demais, um presente para minhas irmãs, para todo o instituto. Tive a experiência de sentir um chamado grande, antes de tudo à santidade, porque penso que o mais importante é a qualidade com a qual doamos a vida ao Senhor, deixar-se arrebatar por Ele para poder ser um canal seu, pelo qual Ele mesmo pode passar. 

Depois se sente a responsabilidade de ser vínculo de comunhão de uma família grande como a nossa, que se estende pelos cinco continentes, com irmãs que pertencem a culturas diferentes, com uma diversidade muito grande, chamada a ser uma inter-relação contínua e a levar juntos em unidade uma missão comum às jovens gerações. 

– O que os salesianos oferecem ao mundo de hoje? 

– Madre Yvonne Reungoat: Os salesianos e salesianas podem oferecer ao mundo de hoje uma missão educativa, um compromisso no campo da educação. Hoje se fala tanto, e Bento XVI o recorda muitas vezes, que estamos vivendo um momento de emergência, e a atualidade de nosso carisma é educar os jovens de hoje, levando em conta o grande desafio de uma sociedade que muda continuamente, com muita rapidez; estar em contínua busca para responder a estes desafios, tendo presente o projeto que Deus quer para a humanidade. 

Isso quer dizer construir a família humana, e pensamos que a educação é a base da construção da sociedade do futuro. Isso também é recordado pelo Papa Bento XVI em muitos de seus discursos. Esta missão educativa para nós é uma grande responsabilidade, mas também um grande estímulo, um desafio que compromete, não só a nós, mas também a muitos leigos que colaboram conosco. Por isso deve-se criar uma sinergia, entrar cada vez mais em sinergia com outras instituições que procuram esforçar-se neste mundo da educação. 

– O que significa continuar o caminho de Dom Bosco e da Madre Mazzarello? 

– Madre Yvonne Reungoat: Continuar o caminho de Dom Bosco e da Madre Mazzarello hoje é isso, é tornar atual este carisma educativo: viver o estilo pedagógico, que é o estilo do «sistema preventivo». Quer dizer que se fundamenta na confiança nos jovens, na fraqueza, fazer os jovens sentirem que são amados, mas não só que o saibam, e sim que se lhes demonstre este amor para que possam chegar a crer que realmente Deus os ama e ajudá-los a descobrir e desenvolver todos os seus recursos para que cheguem a ser protagonistas na construção da sociedade de hoje e de amanhã. 

Tentarei anunciar Jesus aos jovens. Dom Bosco tinha esta grande paixão de ajudar os jovens a crescer como seres humanos, buscar seu lugar na sociedade e na Igreja e descobrir o lugar de Deus, a presença de Deus em suas vidas. Crer que são amados por Deus, e não só isso; a partir desta experiência, converter-se em pregadores de Jesus para os outros jovens. Este é um desafio importante para nós: fazer que os jovens sejam protagonistas deste anúncio e que se convertam em missionários em meio aos outros jovens para ajudá-los a encontrar o sentido de suas vidas. Os jovens de hoje precisam de amor, precisam deste sentido de vida, que na realidade podem encontrar em Deus; e todos juntos devemos ser testemunhas para poder ajudá-los a encontrar Deus, Pessoa viva, que está perto deles, que dá sentido às suas vidas. 

– Como você se fortalece para levar a cabo esta responsabilidade?

– Madre Yvonne Reungoat: Eu procuro fortalecer-me através de diversos elementos. Um é o saber que não estou só. Eu dizia no começo que confiar em Deus e em Maria Auxiliadora é uma força muito grande. Sinto-me sustentada pela oração, pela entrega e pelo afeto de todas as minhas irmãs do mundo inteiro. Sinto-me parte de uma família: sustentamos-nos umas às outras. Constato o compromisso e a entrega de tantas filhas de Maria Auxiliadora em todo o mundo que, com tanto valor, tanta alegria e tanto amor, oferecem com paixão toda sua vida à sua missão. Outro elemento que me sustenta são as vocações que o Senhor continua mandando ao instituto, de diversas partes do mundo. As vocações são mais numerosas em algumas partes e menos em outras, mas em todo o mundo cada ano entra certo número de jovens que continuam sentindo este chamado de Deus e que escolhem responder «sim» à nossa família. Isso é um sinal da confiança de Deus em nós, da importância das nossas vocações e uma renovação contínua, porque elas nos oferecem sua própria riqueza de jovens de hoje e isso é um grande sustento para viver esta missão.