Desafios da catequese com adultos (III)

A fecundidade e a maturidade da catequese

Brasília, (Zenit.org) José Barbosa de Miranda | 772 visitas

A catequese será fecunda quando atingir a sua maturidade manifestada nos frutos que perdurem (Jo 15,16). Para isso, a Igreja precisa ser caminho e luz na implantação do Reino de Deus, pela ação dos discípulos missionários. Não adianta querer mudar a mentalidade do catequista, mostrando-lhe um mundo em transformação, exigindo mudanças no conteúdo pedagógico e atualização doutrinária com uma sólida formação, se os que dirigem a pequena comunidade eclesial não mudarem. São os párocos que sustentam teológica e espiritualmente a comunidade paroquial, última célula da Igreja.  No artigo anterior, Desafios da catequese com adultos (II), pautamos as dificuldades para encontrar respostas claras para os adultos que ainda não batizados, catecúmenos adultos, ajudando-os a consolidar sua fé, a esperança e amor no mundo que é dirigido por eles.

CONSTRUIR NOVOS CRISTÃOS

Para construir novos cristãos e novas cristãs é preciso que haja, também, uma nova paróquia missionária embriagada de Jesus Cristo. É preciso mudar a mentalidade de nossas comunidades, quanto à sua qualidade de comunhão e fé, para evitar a crise da chegada. Isso acontece quando as pessoas são seduzidas pelo projeto do Reino de Deus e depois não se sentem à vontade, decepcionando-se com a acolhida. Essa mudança precisa criar ambientes de acolhimento, partilha, respeito, valorização e amor a partir da experiência do Ressuscitado. O primeiro requisito para uma catequese cetecumenal é a existência de uma pastoral orgânica, onde todos sejam corresponsáveis para transmitir Cristo, a exemplo da comunidade lucana (cf. At 2,42).

A Lumen Gentium é um dos documentos da Igreja que deve ser um dos fundamentos para uma catequese com adultos, principalmente os capítulos I e II, que tratam do Mistério da Igreja e do Povo de Deus, onde se aprofundam o mistério da Igreja e a compreensão do povo de Deus inserido no Corpo Místico de Cristo.

A FORMAÇÃO DOS CATEQUISTAS PARA A INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS

A necessidade da formação e do testemunho catequético encontra sua fonte nos diversos documentos eclesiais. O RICA é o primeiro passo para a progressão da fé de adultos. De acordo com o RICA, os catequistas são importantes para o “desenvolvimento da comunidade”. Eles geram filhos e filhas renovados na fé, aprofundando o mistério pascal e na retomada da conversão e obediência aos apelos do Espírito. Nas exigências para iniciação e formação cristã de adultos, o RICA ressalta no seu número 7: “São, portanto, quatro os tempos sucessivos: o do pré-catecumenato, caracterizado pela primeira evangelização, o do catecumenato, destinado á catequese completa”.[...]

A catequese integral garante o caráter evangélico, litúrgico, existencial e inculturado, como explicita o RICA, levando “os catecúmenos não só ao conhecimento dos dogmas e preceitos, como a íntima percepção do mistério da salvação de quem desejam participar” (RICA, 19.1).

Toda a comunidade é responsável pela formação, pelo testemunho, escuta e oração. Mas há pessoas que têm um compromisso privilegiado nessa catequese: os bispos, presbíteros, diáconos religiosos e religiosas, pela consagração específica, juntamente com os animadores e líderes da Igreja.

Os agentes de pastoral para catequese precisam estar preparados de forma adequada e que testemunhem, não só na comunidade da Igreja, mas na família e na sociedade civil, exigindo-se:

amor à Palavra de Deus, conhecendo-a e vivendo-a;alegria com a Ressurreição, pois ela é o núcleo da fé;encarnação na realidade de Jesus que se fez presente entre nós pela sua encarnação (cf. Jo 1, 14), pois o catequista vive a realidade do próximo, participando de toda a comunidade;vida de oração: é uma comunhão, uma intimidade com Deus. A oração pessoal e comunitária, com vida sacramental, deve ser o itinerário do catequista.fidelidade a Jesus e à Igreja, acreditando nos trabalhos pastorais e engajamento no Reino.

CONCLUSÃO

É preciso mudar o conceito de que catequese é uma simples transmissão de doutrina, porque ela tem um conteúdo de fé a ser vivido. É antes de tudo um encontro pessoal com Jesus Cristo. É o seguimento de Jesus.

Mudaremos essa mentalidade a partir dos ministros ordenados, eles que têm a primeira responsabilidade para congregar pessoas para o Reino. Quando criarmos uma mentalidade de que catequese não é só sacramentalização, mas é iniciação para uma fé adulta que escuta, celebra e vive a Palavra de Deus, obedeceremos ao mandado de Cristo: “Ide e fazei que todos se tornem discípulos, ensinando-os a observar tudo o que vos ensinei” (Mt 28,19).

Ter a coragem em admitir que falta muito para a catequese com adultos, principalmente de agentes capacitados para esse ministério, tanto em conteúdo de fé como em espiritualidade, poderá ser o início do despertar para uma nova Igreja que acolhe, reúne e forma. Formar para o Reino exige sacrifício, renúncia, tempo. O Cristo ficou três anos com os seus, dando-lhes uma verdadeira teologia catequética, e só depois os enviou para tornar discípulos os outros, construindo a Igreja.