Desenvolvimento da África é estratégico para Igreja

Congresso sobre o continente esquecido no Regina Apostolorum

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Por Antonio Gaspari

ROMA, terça-feira, 29 de setembro (ZENIT.org).- "A África é um continente esquecido" e para a Igreja é um enorme desafio pastoral. "Ou o catolicismo sai adiante na África ou corre o risco de sofrer demais", disse Dom Crepaldi, em um congresso dedicado a este continente, realizado em Roma.

Dom Giampaolo Crepaldi, arcebispo de Trieste e secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, interveio em 24 de setembro em Roma no congresso titulado "Por uma revolução verde na África. O desenvolvimento é o novo nome da Paz".


Organizado pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (APRA) e a Universidade Europeia de Roma (UER), com o patrocínio do Conselho Nacional de Pesquisas (Cnr) da Itália, o encontro contou com a intervenção de cientistas e agricultores africanos, assim como diretores do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).


Após recordar que, entre os 50 países mais pobres do mundo, 35 são africanos, Dom Crepaldi destacou que, "para a solução de problemas tão complexos e profundos como os que afligem a África, não há soluções unívocas e simplistas. Mas não podemos ignorar os muitos benefícios que derivariam do emprego de técnicas de produção agrícola inovadoras, capazes de estimular e sustentar os agricultores africanos".


"Já hoje - afirmou o arcebispo de Trieste - graças à utilização de sementes oportunamente melhoradas através de técnicas que intervêm sobre seu patrimônio genético, estão promovendo um crescente e difundido progresso, como demonstram interessantes estudos".


Segundo Dom Crepaldi, "a biotecnologia não deve ser divinizada nem demonizada. A técnica e, em consequência, a biotecnologia, é uma coisa boa mas pode ser mal usada"; é portanto necessário que, como toda atividade humana, "a economia, a política, etc, seja guiada pela moral".


Para o prelado, "a biotecnologia produziu concretamente um grande desenvolvimento em muitos setores como a medicina, a farmacologia, a zootecnia, etc, e se é corretamente utilizada, poderá resolver muitas das questões sociais do mundo atual".


Após a saudação do reitor do APRA, Pe. Pedro Barrajon LC, e do padre Paolo Scarafoni LC, reitor da UER, o Pe. Gonzalo Miranda, ex-decano da Faculdade de Bioética, leu a mensagem que Dom Jude Taddeo Okolo, núncio apostólico na República Centro Africana do Chade, enviou ao professor Giuseppe Ferrai em relação ao congresso.


"Aqui, na República Centro Africana - explica o núncio - temos terra em abundância (6,25 habitantes por cada quilômetro quadrado; a população é de 3.895.139 habitantes espalhados em uma superfície de cerca de 622.984 quilômetros quadrados), temos chuva constante, temos sol, o terreno é fértil. Há alguém que queira nos dar uma mão? Temos também projetos realistas, apoiados pelas paróquias, com vistas ao auto-financiamento das comunidades de base".


Pe. Gonzalo Miranda LC, professor da Faculdade de Bioética do Regina Apostolorum, explicou que "a África é o continente mais rico em matérias-prima do mundo, mas é também aquele no qual mais gente morre de fome e de enfermidades".


Por isso, acrescentou, "a revolução verde e o uso das biotecnologias vegetais são expressão de todo o melhor que hoje se pode fazer no campo agrícola".


Da importância da formação e da difusão de técnicas agrícolas apropriadas, capazes de usar da melhor forma possível os recursos, falou Eric Kueneman, diretor do Serviço Cultivos e Pastos da FAO, que falou de como o programa levado a cabo na Burkina Faso desde 2001 "Farmer's Field Schools" (Escolas para Agricultores) formou mais de dez mil agricultores no cultivo de vegetais, arroz e algodão, com especial ênfase em uma melhor gestão dos fertilizantes.


Charles H. Riemenschneider, diretor do centro de investimentos da FAO, precisou que, para alcançar uma produção de alimentos adequada na zona subsaariana, serão necessários 11 bilhões de dólares de investimento ao ano.


François Traore, da Burkina Faso, relatou que "na região da Burkina Faso, cerca de 90% da população vive da agricultura. A produção de algodão contribui por si só ao sustento de cerca de três milhões de pessoas (mais de 20% da população), assegurando aos pequenos produtores os recursos primários para viver e garantir o ensino elementar aos próprios filhos".


"Em 2003, Burkina Faso iniciou a experimentação sobre o terreno do algodão OGM para verificar sua eficácia e o impacto no meio-ambiente e em 2007 se deram a conhecer os primeiros resultados - acrescentou Traore -, um aumento da produção de entre 35 e 48%, uma redução dos tratamentos (de seis a dois ao ano) e uma redução dos custos em 62%".


Para Traore, portanto, "não permitir que os africanos usem as sementes OGM é um crime contra a humanidade".