Desígnio de Deus, fraternidade e solidariedade, não a exclusão, diz cardeal

Dom Odilo Scherer convida a “edificar nossa casa com material bom e durável”

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SÃO PAULO, quinta-feira, 4 de maio de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, afirma que se devem construir projetos humanos sobre o desígnio de Deus, que é “a fraternidade e a solidariedade”, e não sobre as regras da “busca obsessiva das vantagens e das vaidades pessoais”.

Na edição desta semana do jornal arquidiocesano O São Paulo, Dom Odilo destaca que a leitura do texto do Gênesis sobre a “torre de Babel”, na Vigília de Pentecostes, indica um modo de vida: “não o de Babel, mas do Evangelho de Cristo”.

“O projeto de Babel são a divisão, a exclusão do bem comum, a busca obsessiva das vantagens e das vaidades pessoais... Babel usa até a religião para justificar seus projetos de poder e idolatria do dinheiro”, recorda.

“Tudo o contrário do desígnio de Deus sobre a humanidade, que é a fraternidade e a solidariedade entre todos os seus filhos e filhas, o respeito recíproco e a mesma linguagem do amor e da dignidade reconhecida. O projeto de Deus é vida e esperança para todos, sem exclusão nem discriminação”, destaca o arcebispo.

Segundo o cardeal Scherer, “a soberba humana, a vaidade e o não reconhecimento de Deus levam sempre de novo a querer edificar Babel, mas não dá certo”.

“Projeto humano que não leva em conta o desígnio de Deus é fadado à confusão, à ruína e ao desaparecimento. E deixa atrás de si um rastro de consequências danosas.”

O arcebispo afirma que Deus “não oculta seus planos ao homem e quem, sinceramente, deseja conhecê-los, pode. Em toda a história da salvação e da revelação divina aparece claro que Deus Criador quer ser como um pai para a humanidade e reunir em torno de si os filhos todos, como numa grande família de irmãos”.

“Pentecostes é missão constante para a superação de Babel. O Espírito Santo conduz a humanidade à fé e ao reconhecimento do Deus verdadeiro e à compreensão do seu desígnio de amor e salvação.”

O Espírito de Cristo –prossegue o arcebispo– é “mestre sábio e conhece bem os segredos de Deus e o que é bom para o ser humano e para este mundo. Por isso, acolher o Espírito Santo e ser dóceis a ele é garantia de acerto na edificação da vida pessoal e da convivência social”. 

“O Espírito Santo nos faz conhecer o Evangelho de Cristo,  caminho que leva à vida plena. E nos ajuda a edificar nossa casa com material bom e durável, não tijolo que se esmigalha com o passar do tempo; sobre os pilares consistentes da fé, esperança e caridade, que são as marcas da vida dos discípulos de Cristo”.

Dom Odilo assinala que ainda hoje o Espírito Santo “nos envia em missão, para o meio de nossos ambientes de vida e trabalho”, com a tarefa de “anunciarmos o desígnio de Deus por palavras e pelo modo de vida”.