Despedida do cardeal Bertone de Cuba

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HAVANA, quarta-feira, 29 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a declaração final que pronunciou, em 26 de fevereiro, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, ao despedir-se de Cuba, ao final da visita na qual recordou os dez anos da peregrinação apostólica de João Paulo II à ilha.

 

 

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Ao aproximar-se minha partida, desejo expressar minha profunda gratidão a quem tornou possíveis as magníficas jornadas pastorais que pude viver nesta querida nação para comemorar o X Aniversário da visita do Papa João Paulo II a Cuba.

Agradeço de modo especial ao senhor cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, a Dom Juan Garcia, arcebispo de Camaguey e presidente da Conferência de Bispos Católicos de Cuba, aos bispos das dioceses que visitei: Santiago de Cuba, Santa Clara e Guantánamo-Baracoa, e a todos meus irmãos bispos, com quem compartilhei o pão da eucaristia, assim como os desafios pastorais, as angústias e aspirações da Igreja em Cuba. Vi em cada um deles o bom pastor que conhece suas ovelhas, ou seja, o povo de Deus que lhes foi confiado, homens provados em sua fidelidade ao Sucessor de Pedro e no serviço à sua pátria. Desta forma, levo em minha memória os encontros com a vida religiosa e os seminaristas.

Quero manifestar também meu reconhecimento aos representantes do governo por sua solicitude e atenção. Desejo ver nestas jornadas um novo impulso no caminho das relações entre a Igreja e as autoridades de Cuba; estas relações serão sempre desafiantes, mas também repletas de oportunidades para promover o bem comum dos cubanos.

Desejo também agradecer especialmente o Presidente da República de Cuba, Raúl Castro Ruz, que tão gentilmente quis escutar o enviado do Santo Padre Bento XVI. Ao início de sua nova responsabilidade, eu lhe desejei êxitos nesta missão ao serviço de seu país e lhe confirmei o compromisso da Santa Sé de promover a aproximação do mundo a Cuba e compartilhar convergências sobre temas internacionais. Juntos, em um diálogo pessoal, falamos sobre a Igreja, sobre Cuba e os cubanos no momento atual, com particular referência aos desafios que o mundo dos jovens apresenta. Como todos sabem, muitas pessoas que sofrem no corpo e no espírito manifestam suas aspirações e anseios à Igreja Católica, tanto em Roma como em Cuba. Atendendo a estes pedidos, e no máximo respeito pela soberania do país e de seus cidadãos, expressei ao presidente Raúl Castro a preocupação da Igreja pelos presos e seus familiares.

Nestes dias, de grande intensidade física e espiritual, recebi numerosos presentes. Espero que saibam perdoar-me se destaco o presente que mais me comoveu: o carinho dos cubanos. Senti este carinho em cada uma das dioceses que visitei, nas celebrações eucarísticas públicas que presidi, na oração do Santo Terço com os jovens no Santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, nos caminhos, ruas e praças onde centenas de pessoas saudavam o enviado do Santo Padre Bento XVI. Neste presente valorizo também quão vivas estão a mensagem e a imagem do Papa João Paulo II nos filhos desta terra, a quem ele amou de um modo especial. Tenho a particular satisfação de ter podido inaugurar e abençoar em Santa Clara um belo e expressivo monumento em honra do recordado Papa, fruto de uma colaboração sadia entre a Igreja e as autoridades civis. Também, como significativo momento de encontro com o mundo cultural cubano, valorizei a possibilidade de pronunciar uma conferência na Universidade de Havana sobre «A Cultura e os fundamentos éticos do viver humano», assim como o encontro com professores e alunos da Escola Latino-Americana de Medicina.

Vi também nessas mostras de carinho a alegria de um povo que precisa e quer viver a esperança. Como Secretário de Estado de Sua Santidade, e junto a meus irmãos bispos de Cuba, sou consciente do particular momento da história de vosso país em que celebramos juntos o 10º aniversário da visita do Servo de Deus João Paulo II a esta ilha. Parto, como ele fez há dez anos, com «uma grande confiança no futuro de sua pátria» (João Paulo II, Discurso de despedida, Havana, 25 de janeiro de 1998), desejando que os filhos de Cuba façam crescer sua esperança em Deus, inspirador de toda bondade, e em seus conterrâneos, com quem compartilham o espaço e o destino comum. Em nome do Papa digo a todos: a esperança salva.

Renovo a todos os cubanos, cidadãos e autoridades, crentes e não-crentes, a proximidade da Igreja e a certeza da oração e do carinho do Santo Padre Bento XVI.

Deus abençoe Cuba e seu povo, que tanto ama Nossa Senhora da Caridade!

Havana, 26 de fevereiro de 2008.