Despertar a Igreja nas almas!

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé afirma que em Cristo está toda novidade

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Por Mons. Gerhard Ludwig Müller, Arcebispo emérito de Regensburg,

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 10 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Todos nós vivemos num mundo que diariamente se alimenta de “novidades”. As milhares de novidades nos questionam sobre o que seja realmente novidade. O mundo de hoje, ofuscado por mil mudanças, está na verdade sem novidades porque é prisioneiro de um pensamento fraco, e está sempre à procura de emoções pois está iludido por milhares de coisas que não o safisfazem realmente.

Levanta-se portanto a grande questão: onde está realmente a novidade? A este respeito, ressoam sempre atuais as palavras de Santo Irineu de Lyon: Cristo “trouxe toda novidade, trazendo a si mesmo" (Adversus Haereses, IV, 34, 1). Nele está concentrada toda novidade. A nova evangelização requer superar certos debates intra-eclesiais, em que, por muitos anos, são repropostos sempre os mesmos temas, e repropor por outro lado a fé cristã na sua plenitude e perene novidade. Nesta plenitude e novidade encontra consistência e força de comunhão a colegialidade entre os Bispos, que não pode se tornar pretexto para uma autonomia mal entendida.

O Concílio Vaticano II ensina que o Senhor, “para que o mesmo episcopado fosse uno e indiviso, colocou o bem-aventurado Pedro à frente dos outros Apóstolos e nele instituiu o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão” (LG 18) . A nova evangelização exige alcançar esta comunhão e terá eficácia somente se baseada na unidade dos Bispos com o Sucessor de Pedro e entre si. Esta unidade é a pedra angular sobre a qual o Senhor edifica a sua Igreja.

No estar de novo diante de Cristo, nós alcançamos aquela novidade de vida, que é capaz de mudar-nos profundamente. Trata-se, de fato, de renovar a fé nos nossos corações, de "despertar a Igreja nas almas" (R. Guardini). Somente se renovados, seremos novos evangelizadores. De Cristo ressuscitado nasce a Igreja como sacramento da sua presença e da unidade com Deus e entre os homens (cf. Lumen Gentium, 1).

Dele provém a fé da Igreja: uma fé sempre nova, embora se alimente, em todos os tempos, dos mesmos dons. Enraizados em Cristo e na Igreja, nos apoiamos na fé de Pedro, em torno da qual encontramos aquela sólida unidade que não vem de nós e que nunca falha (cf. UR 4). Todos nós pertencemos a esta unidade. Queremos servir a esta unidade “para que o mundo creia” (Jo 17,21).

[Tradução do Italiano por Thácio Siqueira]