Deus é amor no sentido mais perfeito do termo, diz cardeal

Dom Eusébio Scheid reflete sobre o tema da revelação divina

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RIO DE JANEIRO, domingo, 2 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- Ao refletir sobre o «tema fundamental da revelação divina», o cardeal Eusébio Scheid explica, tomando a definição de São João Evangelista, que Deus é amor «no sentido mais perfeito do termo».



Ser amor «é a essência de Deus», afirma o arcebispo do Rio de Janeiro, já que «Ele não tem amor, Ele é Amor, por constituição do seu próprio ser».

«Nesse mistério divino mais íntimo, indescritível para nós, o Pai e o Filho se doam mutuamente, na eterna doação que é o próprio Espírito Santo. Sendo o amor auto-difusivo, quis derramar-se do seio da Trindade sobre a humanidade.»

«E o Amor veio até nós, na pessoa do Verbo eterno encarnado: Jesus Cristo. Este é o grande mistério que nos foi revelado como causa da nossa alegria e base da nossa fé», destaca o arcebispo, em artigo publicado na Seção Voz do Pastor, do site de sua arquidiocese.

Segundo Dom Eusébio, a doação divina para conosco se manifesta, em primeiro lugar, na grandiosidade da criação. «Tudo decorre do modo de ser de Deus que, num ato de amor gratuito, criou todos os seres visíveis e os entregou ao homem».

«A nós, ainda, Ele presenteou com o que há de mais precioso: a participação na sua própria vida divina. Incomensuravelmente acima de nossa limitação como criaturas humanas, Deus nos concedeu a graça sobrenatural de sermos seus filhos.»

«Para nós, seu amor se desdobra em ato afetuoso de Pai, que nos faz filhos no próprio Filho, nosso Irmão. A este somos configurados pelo Espírito de amor, que impregna em nós a sua imagem mais perfeita», afirma.

Ainda de acordo com o cardeal Scheid, a graça de Deus se mostra, por exemplo, na bondade. «Só Deus é bom. Se nós somos bons, é porque herdamos dele uma parcela, uma participação dessa bondade, sem que diminua em Deus, que é infinito».

«Recebemos, também, os dons para compreendermos sua Palavra. Quando Ele nos abre os tesouros da Revelação, infunde-nos sua inteligência, sua sabedoria e sua ciência. Somente assim podemos entender as Escrituras, da maneira mais profunda.»

Deus nos dá ainda, segundo o arcebispo, sua beleza. «Podemos contemplar o encanto do ser humano, principalmente, numa criancinha inocente, ainda não afeada pelos defeitos da vida de pecado. É lindo contemplar a beleza do homem e da mulher, que refletem a face divina, através da busca constante da perfeição».

Dom Eusébio explica que «Deus nos cria por amor gratuito, amor que brota das suas Pessoas, de sua própria essência. Ele nos ama como nós somos, sem jamais ofender a liberdade que nos concedeu, mesmo quando o ser humano engendra a tragédia do pecado».

«Quando o homem fecha o horizonte para Deus, concentra-se em si mesmo, e nas demais criaturas, e se torna materialista. O pecado nos enfraqueceu no corpo, na mente e nos afetos. Fez de nós seres incoerentes com nosso destino sobrenatural, vítimas de uma profunda fratura interior, que desintegrou nosso equilíbrio físico, psíquico e espiritual.»

Porém, segundo o cardeal Scheid, mesmo depois do pecado, Deus continua a nos amar, com o mesmo amor infinito.

«Esse amor, criador por excelência, manifesta, a partir de então, uma outra tonalidade: é transformante e salvífico. Nós somos envolvidos pelo amor de Deus, mesmo como pecadores.»

O arcebispo do Rio de Janeiro destaca então que não se pode esquecer que a maior doação do Pai foi enviar seu próprio Filho.

«Para irmos ao Pai, passamos sempre pela mediação de Jesus, no Amor Pessoal que Ele tem ao Pai, que é o Espírito Santo. Somos conduzidos pelas mãos do próprio Cristo à casa e ao amor do Pai.»

«Reconhecer esta verdade do amor de Deus para conosco é essencial à nossa caminhada de fé. É um amor pessoal, que nos transforma. Nunca muda nem arrefece. Nós é que, muitas vezes, hesitamos em nos entregar a ele, incondicionalmente», afirma o arcebispo.