Deve-se acompanhar Jesus na maneira como ele vive e aceita a Paixão, diz patriarca

Segundo D. José Policarpo, assim a morte do Senhor não se torna incompreensível

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Por Alexandre Ribeiro

LISBOA, sexta-feira, 21 de março de 2008 (ZENIT.org).- O Cardeal-Patriarca de Lisboa considera que «só de joelhos, na humildade da nossa fé, podemos contemplar a Cruz de Cristo e impedir que ela não seja para nós um escândalo, algo de tão violento e incompreensível que nos leve a duvidar da bondade e da justiça de Deus».

Na homilia na liturgia da Paixão do Senhor, esta sexta-feira, na Sé Patriarcal, Dom José Policarpo explicou que o caminho mais seguro para se penetrar «no sentido da morte de Cristo, querida por Deus para o Seu próprio Filho, é acompanhar Jesus na maneira como Ele a vive e aceita».

O Cardeal-Patriarca recorda que, na conversa com Nicodemos, Jesus afirma: “Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3,16).

«É, portanto, uma loucura do amor de Deus pelo mundo que criou. Deus não pode aceitar que o mundo pereça e perca a vida eterna. Trata-se de vencer o mal na sua raiz, o que só pode ser realizado pelo amor de Deus, o mesmo com que criou o mundo.»

De acordo com Dom José Policarpo, esse amor de Deus «só pode resgatar a humanidade desviada, se puder exprimir a profundidade do Seu amor de Pai pelo Seu Filho, num coração humano, o coração de Cristo, Verbo encarnado».

No Calvário – explica o cardeal –, «Deus, para amar o mundo, não deixa de amar o Seu Filho, que na Sua humanidade, assumiu todo o mal do mundo. Na Cruz, o amor entre o Pai e o Filho é o mesmo amor eterno que criou o mundo, porque só assim o pode recriar».

O Patriarca de Lisboa considera que Jesus tem, desde sempre, uma consciência viva do modo como se concluirá a missão que o Pai lhe deu.

«A aceitação da vontade do Pai é expressão de obediência filial, na densidade do amor trinitário: “Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade” (Mt. 26,42)», cita.

«“Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento” (He. 5,8). A Pedro que tenta reagir à prisão de Jesus com a espada, Jesus diz: “mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que Meu Pai me deu?” (Jo. 18,11)», prossegue.

Segundo Dom José Policarpo, na Paixão, «Jesus homem exprime o Seu amor ao Pai na aceitação do sofrimento e da morte. A Sua última palavra “tudo está consumado” (Jo. 19,30) é o reconhecimento consciente de que a vontade do Pai se cumpriu até ao fim».

«Amar no sofrimento e na obediência é a atitude nova que a morte de Cristo lega à humanidade, caminho para a redenção do sofrimento inevitável», afirma.