Di Noto: foi TPI quem “absolveu” partido pedófilo

Por que ninguém quis definir a pedofilia como crime contra a humanidade?

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ROMA, sexta-feira, 16 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – É paradoxal a decisão de dirigir-se ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia para processar Bento XVI e os representantes da Cúria Romana por “crimes contra a humanidade”, sobretudo porque foi precisamente Haia que não aceitou o recurso contra o partido pedófilo holandês do Amor Fraterno, da Liberdade e da Diversidade.

Quem afirma isso com indignação é Fortunato Di Noto, pioneiro na luta pela proteção da infância e fundador da Associazione Meter, da Itália (www.associazionemeter.org).

A associação, desde sua constituição em 2006, havia criado uma campanha contra esse partido, que se dissolveu quatro anos depois e que tinha entre seus objetivos a legalização da pornografia infantil e das relações sexuais entre adultos e crianças.

As palavras de Di Noto chegam poucos dias depois da decisão da Survivors Network of those Abused by Priests (SNAP), a maior associação de vítimas de pedofilia por parte de membros da Igreja Católica, de apresentar ao TPA a documentação que pretende demonstrar que o Vaticano haveria “tolerado e tornado possível o encobrimento sistemática e difundida de estupros e crimes sexuais contra crianças no mundo inteiro”.

“Jamais nos cansaremos – disse o fundador da associação – de estar do lado das vítimas; há 20 anos, nós as acolhemos, escutamos, acompanhamos em um percurso de ressurgimento. Não ficamos atrás tampouco no compromisso da prevenção, formação e informação sobre um dos fenômenos mais abjetos, trágicos e violentos, o da pedofilia, o abuso sexual a menores.”

“A gravidade é enorme, quando perpetrada por quem reveste um papel paternal, educativo e religioso. É exponencialmente mais devastador quando organizações criminais exploram crianças até produzir o inverossímil – esta foi a última denúncia realizada pela associação: centenas de crianças submetidas a práticas sadomasoquistas e bondage.”

Porém, “apesar da denúncia formal às autoridades da polícia, a comunicação à mídia – observou o sacerdote –, ninguém se indignou nem pensou em escrever a Haia para definir que estes são crimes contra a humanidade”.

“A pedofilia do clero, como a dos magistrados, dos advogados, dos médicos, dos professores, de um pai, mãe, avô, irmão, irmã, é um crime contra a humanidade: e, neste caso, é bom reafirmar que precisamente Haia havia considerado que a pedofilia, como liberdade de expressão, de reunião, inclusive de organização de um partido político, está nas bases de uma sociedade democrática.”

“Com esta motivação, o tribunal de Haia rejeitou o recurso de algumas associações (entre elas, a nossa), que pediam que o recém-fundado NPDV, o partido dos pedófilos, fosse expulso da sociedade holandesa.”

“O juiz Hofhuis, presidente da Corte, estabeleceu que o partido 'não cometeu um crime, mas apenas pede uma reforma constitucional'. Felizmente, o partido pedófilo holandês se dissolveu oficialmente pela pressão pública, e não certamente por Haia.”

“Paradoxos? Seria preciso analisar. Mas como se podem dirigir a Haia quando houve estas implicações dramáticas e ambíguas que 'favoreceram' a difusão da pedofilia e da pedopornografia?”, pergunta-se Di Noto.

“Nós estamos com o Papa Bento XVI pela coragem com que ele enfrentou o problema da pedofilia do clero – declarou –, mas estamos com ele também porque nunca faltou seu incentivo com relação àqueles que se ocupam da infância violada, abusada e vilipendiada.”

“É provável – reconheceu – que ainda não haja uma sensibilidade total e um envolvimento dos bispos e também dos sacerdotes e dos operadores pastorais sobre estes temas delicados, devastadores que ferem permanentemente as crianças e as famílias afetadas. Contudo, o Papa assumiu responsabilidades radicais, em nome de todos”, observou.

Por isso, o fundador da associação desejou “que outros carreguem a responsabilidade, talvez a partir dos escritórios dedicados a enfrentar estas questões, que não podem nem poderão ser enfrentadas superficialmente. Já se fez muito, mas é preciso fazer muito mais”. Por exemplo, “não se pensou em uma 'pastoral de proximidade' contra os abusos (não somente os sexuais), inserida no itinerário formativo a longo prazo, e não somente para uma emergência”.

“Não são suficientes os discursos acadêmicos ou científicos, mas 'operatividade' e ação para dar respostas concretas, não só diante da pedofilia no clero, mas diante de todos os abusos contra a infância.”

“Os atos de reconciliação e de paz são realizados quando 'justiça e misericórdia' se encontram. Chega de guerra; seremos todos vítimas e os únicos vencedores serão precisamente os pedófilos, os exploradores de crianças, que proliferam e aumentam constantemente, cometendo graves crimes contra a infância. É preciso refundar a reformar a sociedade inteira”, concluiu.