Dia de São Valentim: o namoro e as relações sexuais pré-maritais (parte I)

Conversamos com dom Jean Lafitte, número dois do Conselho Pontifício para a Família

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 2297 visitas

São Valentim é festejado em quase todo o mundo como o dia do amor e da amizade [equivalendo ao dia dos namorados em muitos países, ndr]. Na cidade italiana de Terni, terra do santo, milhares de apaixonados se encontram na festa do padroeiro e juram fidelidade sobre o túmulo de São Valentim, assim como pessoas que celebram bodas de prata e de ouro. Além das promessas de namorados e da troca de presentes entre os amigos, existe nessa data algo de mais profundo.

ZENIT conversou a este respeito com dom Jean Laffitte, o número dois do Pontifício Conselho para a Família e do Pontifício Instituto João Paulo II.

Qual é o sentido mais profundo do namoro?

Dom Laffitte: O namoro em si tem um sentido muito profundo. Ele começa quando dois jovens que sentem amor um pelo outro, que se declararam e que sentem o desejo de viver juntos por toda a vida, querem se casar. Ali começa, para eles, um tempo de preparação que a Igreja prevê antes do casamento. É um tempo que tem um sentido particular, porque é o tempo da promessa, e não ainda o tempo de viver juntos.

Existe diferença entre ser namorados e morar juntos?

Dom Laffitte: Uma grande diferença! A promessa ainda não é o compromisso definitivo, e portanto não cria um direito absoluto sobre a vida comum futura. Significa caminhar juntos para que o compromisso se realize, mais tarde, nas melhores condições possíveis. Indica um tempo de preparação, de crescimento, de aprofundamento e de amadurecimento. O sentimento tem que se transformar numa decisão livre de se comprometer para toda a vida, porque o namoro não é a doação de si mesmo, é a preparação para a doação de si mesmo.

Qual é o problema do namoro hoje em dia?

Dom Laffitte: A falta de consciência que existe entre a promessa e o usufruto dos bens próprios do casamento, ou seja, a coabitação. Quando dois jovens se amam e convivem, eles já estão usufruindo de um bem que só o matrimônio poderia oferecer. A doação de si mesmos um para o outro quer dizer que o futuro de um pertence ao outro, e que o outro entra na minha liberdade e no meu futuro. Ao contrário, quando não se convive, se aparecer alguma dificuldade o casal pode dizer: “Foi bom o tempo que passamos juntos, vamos continuar sendo amigos”.

E quais são as consequências de uma convivência pré-matrimonial?

Dom Laffitte: Primeiro, você não se prepara devidamente para a doação de si mesmo e se apropria da disponibilidade do outro de maneira indevida. O segundo problema é uma situação – e as mães de família vão me entender muito bem – que é mais desfavorável para as moças do que para os rapazes. Porque a forma de entrega é desigual, e no casamento a doação deve ser recíproca. Não há igualdade de expectativas.

O chamado “inverno demográfico” é favorecido pela convivência pré-matrimonial?

Dom Laffitte: Sem dúvida, porque isso atrasa muito o nascimento do primeiro filho, e porque cria o hábito de viver a sexualidade sem abertura para a vida, com métodos anticoncepcionais, para não dizer coisa pior. E usar a própria sexualidade com mentalidade contraceptiva faz com que as pessoas não se preparem para o dom de acolher a vida. É curioso, também, ver que os casais que moraram juntos por alguns anos antes de casar, quando casam mostram uma tendência para a separação e para o divórcio já nos primeiros dois anos. É curioso...

(A segunda parte será publicada amanhã)