Dia do padre

O Vigário de Cristo e a Igreja querem a Igreja e os seus ministros nas ruas

Rio de Janeiro, (Zenit.org) Card. Dom Orani Tempesta, O.Cist. | 426 visitas

Recordamos, nesse ano, no primeiro domingo de agosto, a memória de São João Maria Vianney, apresentado pela Igreja como Patrono dos Párocos. Louvo a Deus pela participação do clero na preparação e realização da JMJ. Com certeza irão levar adiante a mensagem e o entusiasmo agora despertados.

O Papa Francisco, em sua viagem apostólica ao Rio de Janeiro, nos exortou a não ter medo de ir contra a corrente dominante do pensamento do mundo. O Bispo de Roma tem repetido que nós devemos caminhar para as periferias, ir ao encontro dos que estão afastados. Graças a Deus,em nossa Arquidiocese, são muitos os que gastam as suas vidas nas muitas comunidades, e ali plantam a semente do Evangelho.

O Vigário de Cristo e a Igreja querem a Igreja e os seus ministros nas ruas – bispos, padres, diáconos, religiosos, lideranças próximos do povo – trabalhando para os pobres e formando jovens missionários. Por isso, nós nos sentimos desafiados a intensificar esse caminho novo redesenhado e confirmado pelo pontífice. O Papa nos propõe redescobrir a alegria da fé! Ao falar do chamado para anunciar o Evangelho, nos ensina a viver o caminho a que somos chamados para ajudar os jovens e todos os fiéis a perceberem que ser discípulo missionário é uma consequência de ser batizado, é parte do essencial do ser cristão. E que o primeiro lugar onde evangelizar é própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família e os amigos.

Em nossa Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro o Papa Francisco pediu que os sacerdotes tenham “a paciência de escutar os problemas dos jovens”, especialmente na confissão, na orientação espiritual e no acompanhamento. “Não poupemos esforços na formação dos jovens” e ajudemo-los, disse, a “redescobrir o valor e a alegria da fé”. Essa orientação deve ser feita de tal modo que se sintam missionários, saiam de suas casas e façam “ruas de fé”: “não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades quando tantas pessoas estão esperando o Evangelho”, alertou, e completou enfático: “Eduquemo-los para a missão, para sair, para partir. Decididamente, pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que são mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia”.

O Papa nos ensinou, ainda, o chamado a “Promover a cultura do encontro”. Ele denunciou a atual “cultura da exclusão e do descartável”, na qual não há tempo para as os outros, e as relações humanas parecem regidas por dois dogmas modernos: a eficiência e o pragmatismo. Isso vale, particularmente, para algumas falsas mentalidades que descartam os sacerdotes anciãos e doentes e não lhe dão a verdadeira atenção e carinho.

É convite para incrementar mais ainda o contato pessoal dos presbíteros com os fiéis. O relacionamento entre as pessoas, na vida paroquial, deve sempre ser igual, na mesma simplicidade e sem fazer-se maior. Isso é de uma beleza e simplicidade comoventes, dando tempo para ouvir o outro como alguém que serve, com o seu modo de vida, próximo das suas ovelhas, gastando a sua vida e as suas preocupações com as preocupações do povo santo de Deus, a quem o sacerdote é enviado para santificar e proclamar o Reino de Deus.

Nesse sentido, quero elevar a Deus a minha ação de graças pelo trabalho pastoral de todos os presbíteros de nossa amada Arquidiocese. Agradeço a Deus, também, o trabalho escondido de muitos sacerdotes que gastam a sua vida pelo povo brasileiro, particularmente, na Região Amazônica, com todas as suas complexidades pastorais. No discurso aos Bispos do Brasil, o Santo Padre fez especial menção à Amazônia! Somos chamados, pois, a ser pastores conforme o Coração de Cristo: mansos, pacíficos, generosos; que estejamos sempre em sintonia com Cristo, com a Igreja em favor da edificação da esperança, da solidariedade, da partilha e da paz, sem medo de viver, anunciar e testemunhar o Evangelho. O Santo Padre Francisco foi muito claro nas suas palavras aos bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e seminaristas – para terem “a coragem de ir contra a corrente”, sendo “servidores da comunhão e da cultura do encontro”.

Unamo-nos à Virgem Mãe, Mãe dos Sacerdotes, que interceda por todos nós nessa bela e importante missão nesse tempo de tantas transformações sociais, culturais e religiosas!

† Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ