Dia judaico-cristão muda de tema

Depois das críticas pela nova oração pelos cristãos da Sexta-feira Santa

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ROMA, sexta-feira, 28 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Depois das queixas de vários líderes judeus acerca da mudança da oração para o povo judeu na Sexta-Feira Santa (cf. Zenit, 20 de novembro de 2008), a jornada judaico-cristã que acontece todos os anos na Itália em 17 de janeiro mudará de tema.

Assim anunciou o bispo de Terni-Narni-Amelia, Dom Vincenzo Paglia, presidente da Comissão Episcopal para o ecumenismo e o diálogo, falando aos delegados diocesanos reunidos em Roma.

«Este incidente – afirmou o prelado – não pode fazer saltar para nós uma reflexão sobre a relação judeu-cristã que continua sendo essencial. Nos leva a fazer ainda mais». 

A jornada, portanto, «continuará e será promovida com grande tenacidade e com profunda espiritualidade». 

Agora, «por sentido de fraternidade com os judeus – explicou –, suspenderemos a reflexão que desde 2006 estamos fazendo juntos sobre os dez mandamentos». 

Decidiu-se «refletir sobre a relação entre judeus e cristãos sublinhando a importância das escrituras, à luz do recente Sínodo e da participação, pela primeira vez, de um rabino entre os bispos de todo o mundo». 

A Comissão da Conferência Episcopal Italiana para o Ecumenismo e o Diálogo divulgará um documento que servirá para orientar a celebração da jornada. 

«Naturalmente se há judeus que nas dioceses querem participar das iniciativas desse Dia, nós não o impediremos – declarou Dom Paglia –, mas isso depende da relação que cada um de nós tem com os rabinos e com os irmãos judeus.»

«A linha escolhida é a de 'não sublinhar' o incidente, pois uma ênfase excessiva pode contradizer o que queremos fazer, que é resolver a situação. Nossa sabedoria nos ajudará a enxugar as lágrimas.»

Na conferência, intervirá o arcebispo Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, que sublinhou que a «finalidade do diálogo inter-religioso não é, como algumas correntes teosóficas dão a entender, a criação de uma religião universal, sincretista, que reconhece um mínimo denominador comum», presente em todas as religiões. 

No diálogo ecumênico, observou, as igrejas têm «uma plataforma comum e compartilhada», que obviamente não pode existir no diálogo inter-religioso, cuja finalidade é diferente. 

No diálogo inter-religioso também não devemos hesitar em mostrar a identidade religiosa. «Não se pode apagar a própria identidade cristã», concluiu o arcebispo.