Diante da crise econômica, trabalhar por uma sociedade mais equitativa

Para arcebispo, crise tem também um enraizamento na dimensão moral

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BELO HORIZONTE, domingo, 9 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil) considera que a crise econômica revela que é preciso realizar projetos econômicos e sociais que promovam uma sociedade mais equitativa e humana.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo explica –em artigo enviado a Zenit nessa sexta-feira– que a crise «tem também um enraizamento profundo na dimensão moral».

«Ora, se é verdade que existe uma clara distinção entre economia e moral, não é verdade que existe uma separação entre estes dois âmbitos. Há, na verdade, uma reciprocidade entre eles.»

«É lamentável que as vozes que se levantam a partir do âmbito moral não sejam ainda suficientemente fortes para convencer os atores deste cenário a levarem em conta as implicações morais que subjazem em toda esta realidade da crise econômica mundial», afirma.

O arcebispo recorda a advertência que o Concílio Vaticano II fez pela Constituição Pastoral Gaudium et Spes (n. 63), ao tratar a realidade humana, social e política iluminada pelos valores transcendentes.

«‘Também na vida econômico-social a dignidade da pessoa humana, com sua vocação integral, bem como de toda a sociedade, deve ser honrada e promovida. O homem com efeito é o autor, o centro e o fim de toda a vida econômico-social’», cita.

«Esta consideração focaliza que à economia, tanto no âmbito científico como no âmbito prático, não é confiado o fim da realização do homem e da boa convivência humana, mas uma tarefa parcial. Isto é, a produção, a distribuição e o consumo dos bens materiais e dos serviços», explica. 

Portanto, de acordo com o arcebispo, a crise econômica «tem que ter ouvidos para os clamores que levam a economia e a moral a considerar como finalidades indivisíveis a eficiência econômica e a promoção de um desenvolvimento solidário da humanidade».

«Vivida moralmente a economia alcança seu equilíbrio, ganha consistência e atinge o que é insubstituível nos patamares da justiça e da solidariedade mediante a produção de bens e serviços úteis ao crescimento de cada um.»

Dom Walmor considera que «os operadores econômicos e os cultores das ciências econômicas estão, particularmente, desafiados na tarefa árdua de conceber, realizar e corrigir projetos econômico-sociais» capazes de promover «uma sociedade mais equitativa e um mundo mais humano».