Diretor de revista arquidiocesana de Cuba propõe dez pontos para a mudança

Orlando Márquez: O tempo neste processo de reformas é importante

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 298 visitas

A revista online da arquidiocese de Havana, Palabra Nueva, em artigo do diretor Orlando Márquez, aponta dez razões pelas quais é necessário acelerar as reformas em Cuba, oferecendo alternativas diante das decisões oficialistas.

As autoridades cubanas argumentam que é necessário aplicar as reformas de maneira paulatina para se chegar a um “socialismo próspero e sustentável”, temendo cometer erros e precisar voltar atrás.

Para o editor da revista, o processo de atualização do modelo econômico, empreendido pelo presidente Raúl Castro com o aval do Partido Comunista, deveria ser feito “com pressa para avançar de forma expedita e sem titubeios e com as pausas estritamente necessárias para redirecionar o andamento ou afastar os obstáculos estruturais ou humanos que impedem o avanço”.

No artigo de opinião, o diretor da Palabra Nueva apresenta “dez pontos para a mudança”. O também porta-voz da arquidiocese considera que “a questão do tempo, neste processo de reformas, é importante por várias razões”.

A primeira razão é que a espera provoca desânimo e “o desânimo do cidadão não é bom aliado de ninguém nem de nada”. A segunda razão é que “os indicadores econômicos e a cesta básica familiar continuam esquálidos”. A terceira é que, para se ter um país próspero, são necessários cidadãos prósperos.

O quarto ponto abordado por Márquez considera que “em 2030 seremos um país com 30% da população acima dos 60 anos, como em alguns países desenvolvidos, mas com uma peculiar diferença: esse terço não produtivo da população adulta comporia um segmento populacional pobre em um país subdesenvolvido e pobre”.

Quinto: é preciso “criar condições” para estimular a natalidade, “desestimular a emigração e incentivar a imigração de gente jovem, disposta a trabalhar e investir capital e conhecimentos em Cuba, incluindo cubanos emigrados dispostos a retornar”.

Sexto: “é perda de tempo insistir na ineficácia comprovada da propriedade estatal em todos os ramos da produção e dos serviços”.

Sétimo: “a desvantagem econômica e tecnológica (…) nos coloca em posição vulnerável diante da necessidade de nos inserir numa economia globalizada, assim como diante do possível fim do embargo dos Estados Unidos”.

Oitavo: “a estabilidade econômica e a prosperidade pessoal e familiar podem ser um meio eficaz –não o único– para esse nobre objetivo de recuperar determinados valores ausentes hoje na sociedade”, em contraposição à corrupção, aos favorecimentos, aos baixos salários, à falta de moradia e à deterioração urbana.

Nono: “acelerar a reforma e gerar a riqueza” é necessário para “a saúde e educação”.

O décimo ponto destaca que, “quanto mais avançado estiver o processo de reformas, mais propício será o cenário para quem exercer a responsabilidade política de conduzir o país no futuro imediato”.

Márquez conclui: “A liberdade e a dignidade devem prevalecer no tempo que vivemos neste mundo. A vida não é um ensaio. Só temos uma oportunidade de vivê-la e esse tempo é sagrado”.