Dissidente chinês denuncia “religião de Estado” imposta no país

Harry Wu no Meeting de Rímini

| 1345 visitas

RÍMINI, segunda-feira, 24 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- O defensor dos direitos humanos Harry Wu denunciou ontem a imposição da “religião de Estado” na China. Ele falou no primeiro dia do “Meeting pela amizade entre os povos”, evento que se celebra nessa cidade costeira italiana.

Wu, que passou 15 anos internado em gulags chineses ("laogai") e publicou recentemente na Espanha sua biografia (Ventos amargos), denunciou que o regime instaurado em seu país há cerca de 60 anos não permite a liberdade de religião.

“Não há liberdade de culto –assegura Wu. O catolicismo continua sendo ilegal. Todas as igrejas e templos são propriedade do Governo. Há uma religião de Estado que é o comunismo. Eu era católico, esse foi o motivo pelo qual fui perseguido”.

Wu assinalou também que todas as mulheres na China estão submetidas ao controle de natalidade.

O dissidente contou ainda como se vive e se morre nos "laogai" e recordou que o regime comunista provocou 50 milhões de mortos, mais que o holocausto e o regime stalinista.

“Em 1950, os especialistas de Stalin foram à China para desenvolver os campos de concentração, sistema que continua até hoje”.

O Ocidente –assegurou Wu– “deve recordar que os chineses não podem ir à Igreja, que não são livres para usar a internet ou para criticar o governo. Não tem sentido falar das eleições na China, como alguns fazem. Na China não se vota, só se fala de economia, de dinheiro”.

O Meeting, convocado pelo movimento eclesial Comunhão e Libertação, congrega em numerosos atos 700 mil pessoas de 23 a 29 de agosto.