Distanciamento da verdade, raiz das crises, afirma arcebispo

Dom Walmor de Azevedo pede “atividade educativa” em favor da verdade

| 1280 visitas

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 3 de julho de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, considera que a raiz das diferentes crises que se vivem hoje é o distanciamento da verdade. Na contrapartida desse distanciamento, o prelado pede uma “intensa atividade educativa” voltada para a verdade.

Em artigo enviado hoje a Zenit, o arcebispo comenta, por exemplo, a crise da vida pública brasileira, que atinge “instituições que devem primar pela seriedade e limpidez de suas ações e funcionamentos, como o Senado”.

Os escândalos envolvendo o Senado indicam “que se está vivendo uma crise ética e moral advinda do distanciamento da verdade, de práticas que a desconsideram, de relativizações ignorantes de seu sentido e alcance, produzindo prejuízos irreparáveis e passivos danosos”.

“É indispensável o critério simples e essencial de que a pessoa se mede pela verdade. A verdade é a sua única medida. Todos estão e devem estar debaixo da verdade, da qual a existência, e cada ser recebem sentido e valor”, afirma Dom Walmor.

Segundo o arcebispo, “antes das estratégias e das lógicas de gestão, a verdade faz a vida, dando-lhe fundamento, dirigindo-a e levando-a ao seu termo. Na raiz da crise localiza-se a incompetência humana de ser - para a verdade e na verdade que é um bem constitutivo e decisivo para o ser humano e suas organizações”.

“Aí começam os comprometimentos graves, com força para derrubar as mais consistentes estratégias e princípios de gestão nas complexidades das culturas e das sociedades contemporâneas.”

A crise que o mundo vive hoje “de fundo é a da verdade”. “Essa época contemporânea está caracterizada pela explosão da ciência em função da técnica e proliferação de ideologias, absolutizando verdades parciais ou os seus aspectos”.

“As consequências estão estampadas na angústia, na indiferença ou nos delírios que se expressam nos fanatismos por ídolos ou pela excentricidade de hábitos e costumes.”

Contudo –prossegue o arcebispo–, “esses aspectos parciais da verdade não possibilitam o encontro da verdade como fonte de sentido e com força de redenção. Há uma decepção e um desencanto na raiz impossibilitando o indispensável voltar-se para a interioridade transcendente”.

“A vulgaridade e a mesquinhez de interesses e hobbies, sem grandes ideais ou projetos, vão enterrando as pessoas na apatia da falsidade e no instinto espúrio da manipulação e da posse que gestam quadros horrendos de corrupção”, assinala o arcebispo.

De acordo com Dom Walmor, a convivência sustentável só é possível quando se funda na verdade.

“As crises graves deste tempo apontam que é uma exigência inadiável uma intensa atividade educativa e um empenho por parte de todos para que a verdade seja a referência insubstituível de comportamentos individuais, na definição de prioridades, na escolha dos ordenamentos”, assinala.

De acordo com o arcebispo, “é urgente reconhecer que no tratamento das crises se tornam indispensáveis os investimentos e formação da consciência moral. É determinante que hoje ocorra uma volta à referência fundamental que possibilita obter a resposta sobre o que é bem e o que é mal”.

“Essa referência fundamental, silenciada por muitas razões, é Deus. É um risco desconsiderar esta verdade –afirma–. Desconsiderá-la é correr o risco de titubear e perder rumos. A consciência capaz de fundamentar o agir na verdade não encontrará fora de Deus a sua integridade. De Deus vem a inteireza desta integridade.”