Documento intercristão constata que missão e ecumenismo não se opõem

Materiais para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 21 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Expoentes cristãos das diferentes confissões publicaram um documento no qual superam a dialética que no passado opunha o anúncio do Evangelho (a missão) ao diálogo ecumênico.

Trata-se dos materiais redigidos pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Mundial de Igrejas, por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e para todo o ano de 2010.

O documento, recém-publicado, está dedicado ao tema “missão e unidade”, inspirando-se na frase do Evangelho de São Lucas (24, 48): “Vós sois testemunhas disso”.

Como explica a Introdução, “nem todos associam a proposta missionária e a preocupação da unidade dos cristãos”.

De fato, em algumas regiões do planeta, um dos problemas mais sérios que o diálogo ecumênico sofreu nas últimas décadas deveu-se precisamente à chegada de missionários de diferentes confissões cristãs, vistos em ocasiões como uma “concorrência”.

O documento, no entanto, pergunta: “Não estão unidos o compromisso missionário da Igreja e seu compromisso ecumênico?”.

“Pelo nosso batismo, já formamos um único corpo e estamos chamados a viver em comunhão. Deus nos fez irmãos e irmãs em Jesus Cristo. Não é este o testemunho fundamental que devemos apresentar?”, continua interrogando o texto.

“Sem negar as rivalidades entre missionários enviados por diferentes igrejas”, o documento reconhece que “os que estiveram na avançada da missão foram talvez os primeiros a tomar consciência da tragédia que representava a divisão dos cristãos”.

Por este motivo, o documento reconhece que frequentemente os missionários no passado foram autênticos mestres de ecumenismo.

“Se na Europa eram habituais as separações eclesiais, o escândalo da desunião aparecia de maneira óbvia aos missionários encarregados de anunciar o Evangelho em populações que não conheciam nada de Cristo”, esclarece.

“Certas rupturas eclesiais que tinham indicado a história do cristianismo não estavam sem fundamento teológico – reconhece. Mas também se caracterizavam pelo contexto (histórico, político, intelectual) que as haviam feito nascer. Portanto, podia permitir-se exportar estas divisões aos povos que desconhecem Cristo?”

“No frescor dos começos, as novas igrejas locais não podiam ser tachadas pela defasagem entre a mensagem de amor que queriam viver e a separação efetiva dos discípulos de Cristo. Como fazer compreender a reconciliação oferecida em Jesus Cristo se os próprios batizados podiam ignorar-se ou combater-se?”, perguntam-se os redatores do documento.

“Como os grupos cristãos que vivem na hostilidade mútua podem – de forma confiável – pregar um só Senhor, uma só fé, um só batismo?”, insiste.

Portanto, a melhor maneira de promover a unidade dos cristãos, conclui o texto, consiste em anunciar Cristo.

“O Evangelho não é um luxo em nossa humanidade ferida pelas divisões; o Evangelho não pode ser anunciado por vozes discordantes”, afirma o documento.

Nesta ocasião, os promotores da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, da Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas e do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos confiaram a preparação destes textos a expoentes das igrejas cristãs da Escócia.

A decisão pretende recordar o centenário da Conferência Missionária de Edimburgo, em 1910, que no verão deste ano reuniu os delegados oficiais das sociedades missionárias protestantes e do anglicanismo, às quais se uniu um convidado ortodoxo.

Em junho de 2010, celebrar-se-á em Edimburgo o centenário da Conferência Missionária (www.edinburgh2010.org), como ocasião para intercambiar práticas missionárias entre os membros de diversas tradições eclesiais.

O projeto inicial do documento foi preparado por um grupo ecumênico da Escócia constituído pela associação Action of Churches Together en Scotland (ACTS), a partir do convite da Conferência dos Bispos católicos.